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Uma Idéia Para uma Startup (Que Não Daria Certo)

04 jan

il celo in una stanza

Sabe aquelas idéias mirabolantes e geniais que você costuma ter na calada da noite, numa crise de insônia (ou, como costuma acontecer comigo, enquanto toma banho)? Que você fica lá, namorando, pensando em como a idéia é boa, que você realmente gostaria de levá-la adiante, mas nem sabe direito por onde começar… e que se é tão boa, porque ninguém teve essa idéia antes… e, na verdade, eu acho que aquilo nem daria certo… ah, "que empenho"…

Aí de repente você está lá, por aí, e de repente… "ein, isso me é familiar". Pois é. Em algum lugar completamente inesperado você descobre que a sua idéia já saiu do papel. É impossível não ficar com aquela sensação de "malditos, roubaram minha idéia!", embora a única maneira disso poder acontecer seria com a ajuda de uma máquina do tempo. E um leitor de mentes – ou um Vulcan. O que for mais conveniente.

Pois é. Isso acaba de acontecer comigo.

 

Os "Copiões"

O nome do site é "Amie Street", e se trata de um site cujo foco é vender música… ou melhor, cujo objetivo é LEVAR músicar aos seus ouvintes, já que muitas das músicas encontradas no site são gratuitas.Amie Street - Community-driven Music Sales

 

Mas, qual é o modelo de negócios? Como isso pode ser "sustentável"? Ou, ainda, como esse site é diferente do Jamendo, um site de músicas sob licença Creative Commons que eu adoro?

Simples: as músicas COMEÇAM gratuitas, mas conforme são baixadas e se popularizam, seu preço vai subindo – até o preço máximo de 98 centavos. Sim, isso quer dizer que, por mais popular que seja uma música nesse site, ainda assim ela será mais barata do que em praticamente qualquer site de venda de músicas por aí.

Além disso – veja só que bacana! – você pode recomendar músicas que você comprou. E, conforme o preço da música for subindo, você ganha por ter recomendado aquela música! Funciona assim: você compra uma música por, digamos, 20 centavos de dólar e a recomenda. Algum tempo depois, essa música vira um hit e passa a ser vendida por 98 centavos de dólar. Você ganha a diferença de 78 centavos de dólar na sua conta para gastar na compra de outras músicas.

Eu percebo um potencial de "viral" fantástico nesse tipo de coisa, vocês não?

Down Down DownPara testar o programa, comprei uma música:  a Lover Run for Cover, deste álbum, por 26 centavos de dólar. Para ouvir um trecho da música (ou de qualquer outra música do site) é só clicar no botão de "play" ao lado do nome da música, e um simples e efetivo player irá se abrir no rodapé da página e tocará a música via stream.

O processo de pagamento é simples e, novamente, eficiente: você pode escolher pagar com cartão de crédito ou PayPal, num certo número de créditos. Comprei três dólares de créditos (o mínimo possível) via PayPal e já recebi o link para baixar a música.

Aliás, o sistema de créditos também é interessante, já que valoriza os "aficcionados" por música: para comprar 50 dólares de créditos, você paga apenas 40 dólares, e para comprar 100 dólares de créditos, você paga apenas 75.

Você precisa de mais algum tipo de recomendação para um site como esse, que ajuda de maneira tão fantástica os músicos independentes? Que premia as músicas realmente "populares", mas que dá a chance para todos serem "descobertos"? Sério. vai lá.

Se faltava alguma coisa, as músicas são DRM-free, o que quer dizer que elas são aprovadas pelo xkcd. Extra-extra-points!

 

A Minha Idéia? Ah, a Minha Idéia era Assim…

Eu fico realmente indignada com a falta de opções para a compra de músicas online. Não apenas no Brasil, já que além de tudo sou barrada em boa parte dos sites de compras por ser, bem, brasileira. Mas, especialmente, ESPECIALMENTE, com a falta de opções brasileiras para se comprar música.

Sério. Opções para se comprar música online no Brasil, o que é isso? Fora os sites do UOL e do Terra, você conhece mais algum? E mesmo esses dois "grandes" sites, oferecem uma seleção limitada. MUITO limitada. E de um modelo de negócios no mínimo REVOLTANTE.

Eu me lembro de dar uma olhada no catálogo e resolver que queria comprar algo, para testar. Achei um álbum do AC/DC e pensei "cool!" e já fui feliz, pensando em comprar Hell’s Bells, uma das minhas favoritas.

Bom, aquele era um dos álbuns, dentre muitos, que não me dava a opção de baixar uma única música. Eu só tinha a opção de – AI, sinto um arrepio de indignação só de lembrar – comprar o álbum INTEIRO.

Pausa para efeito dramático, por favor. Releiam: em pleno século 21, em plena web 2.0, em "conteúdo gerado pelo usuário", em "democratização da internet", nós temos um sistema de venda de músicas tão idiota ao ponto de não me permitir comprar apenas as músicas que me interessam?

Sem falar na escolha inteligentissima de colocar as músicas a preços altos, ao invés de oferecer descontos para aquelas músicas que estão, por assim dizer, "encalhadas". Ou pacotes promocionais para os álbuns que vendem muito bem.

Eu senti vergonha alheia, juro.

Desde aquele dia, fico imaginando como seria um VERDADEIRO site voltado à venda de músicas para o mercado brasileiro.

Registro aqui os pontos principais de como seria o meu projeto, se eu sequer tivesse como levá-lo adiante:

  1. Facilidade de uso seria um dos pontos principais do site. O outro ponto principal seria descobrir músicas novas. Se for para escolher uma "visão", seria algo como "levar música do músico ao ouvinte da maneira mais simples possível, para ambos os lados".
  2. O pagamento seria facilitado: você colocaria créditos, de valores baixos a mais altos, com "bônus" para quem colocasse mais créditos, tal qual o AmieStreet. Aceitaria pagamentos por PagSeguro, boleto bancário, cartão de crédito.
  3. Como o mercado móvel cresce muito no Brasil, especialmente no quesito de músicas e toques, o site seria desenvolvido pensando nesse público: um site móvel para ser facilmente visualizado pelo celular, uma maneira rápida para comprar e baixar músicas direto para o seu celular.
  4. Como os usuários teriam de se registrar, pediria-se informações sobre onde a pessoa mora – mais especificamente, em que cidade/estado. Com base nisso, seria possível gerar relatórios para os artistas, para que eles soubessem em que regiões do pais estão mais populares e, também, isso poderia ajudá-los a planejar shows nestas regiões.
  5. Criar "pontes": os ouvintes poderiam se comunicar com os músicos, deixando-lhes recados, assim como os músicos poderiam ter sua própria página onde falariam sobre si mesmos, expor sua agenda de shows, um link para a página do grupo, etc.
  6. Dar liberdade para a comunidade: além de poderem opinar sobre músicas (desde que as tenham comprado, para evitar "arruaceiros"), os ouvintes também podem comparar bandas, no estilo "isso se parece com isso", além de criar mini-comunidades nas quais os ouvintes pudessem conversar e trocar sugestões sobre estilos, conversar com ouvintes da mesma região, etc.
  7. No lastfm existe uma coisa muito bacana (embora pouco usada por brasileiros, creio eu… existem vários shows no Brasil, mas poderiam existir bem mais cadastrados), a de agenda de shows: você pode conferir shows de suas bandas favoritas, shows na região em que você mora… o legal seria implementar algo assim também, que pudesse ser acompanhado por fãs de uma banda, ou interessados em saber quais shows estão agendados para a sua região. E, depois dos shows, quem foi poderia escrever sobre como foi o show.
  8. Criar "coletâneas" a preços promocionais, juntando músicas já famosas com músicas "semelhantes", para popularizar músicas que ainda não chegaram ao topo.
  9. Fornecer material promocional junto com as músicas, como papéis de parede (desktop e celulares), temas, etc.
  10. Disponibilizar as letras das músicas de maneira clara e sem a necessidade de ter de comprar a música para vê-las (já que isso não faz muito sentido)

Algumas coisas eu vi no AmieStreet e achei muito interessantes: a política de preços, a bonificação para quem recomenda músicas que se popularizam.

E está dando certo: o site já conta com mais de um milhão de músicas, e no final deste ano inaugurou uma nova versão do seu site, ainda mais voltada para a comunidade. É a prova de que algo assim pode dar certo.

E aí, nenhum grande empreendedor com o dinheiro para levar isso adiante se interessa, não? A página de contato está logo ali em cima…

 

 

Se você tem um projeto, comece agora!

31 dez

crafty corner || cantinho craftyEu estava querendo mudar a cara do blog há mais de um mês… escrevia em bloquinhos, no Google Docs, estava cheia de idéias. Mas as coisas simplesmente NÃO estavam indo para a frente. Obviamente, isso não acontece apenas com o blog – eu poderia encher um caderno com pequenas e grandes idéias que eu tenho e que, por um motivo ou outro, não levo para a frente.

De repente, eu decidi que ia começar mudando o blog. Mudei o layout, deixei-o mais com cara de ‘site’ para tentar deixá-lo mais organizado. Aliás, organização é justamente um dos meus maiores problemas – tenho uma séria dificuldade em conseguir manter as coisas numa ordem minimamente lógica e embora eu às vezes não me importe com isso (só eu preciso encontrar minhas anotações de aula, então pouco importa que eu seja a única pessoa que consegue encontrar qualquer coisa no meio das minhas anotações. Isto é, eu e o meu namorado, que normalmente acha as minhas coisas quando eu não consigo.), no caso do site isso me incomodava um pouco. Passou a me incomodar muito. Eu imaginava alguém querendo conhecer o blog numa área específica e não conseguindo.

O "re-design" do blog ainda não está pronto, mas pelo menos eu já comecei. Fiz um pouquinho em um dia – coloquei o tema "Options" que, como o nome diz, é repleto de opções – e continuei nos outros dias… coloquei adsense e hotwords na vã esperança de conseguir alguns trocados para pagar meu domínio e, quem sabe, ajudar a investir em alguns outros projetos relacionados a internet que eu tenho. Em outros quinze minutos de folga, achei uma figura mais bonitinha para chamar a atenção para o link de feeds ali do lado. Aos pouquinhos eu fui levando meu projeto para a frente.

Mas isso só começou a acontecer depois que eu comecei a fazer algo. Mesmo há mais de um ano, quando eu comecei o blog, eu queria muitas coisas – queria um blog legal, que me desse dinheiro, que fosse conhecido pelos outros blogs da área… bom, obviamente, o blog não era nada disso. Comecei bem devagar, quase parando. Não achava que teria mais do que dez leitores. E no início, não tinha mesmo.

Não vou dMi primer cheque de Adsenseizer que hoje eu seja um super exemplo de "blogueira super bem sucedida", eu recebo poucas centenas de visitas por dias, não tenho nem 100 leitores no meu feed. Sou alguém morando no trailer da esquina perto de muitos blogueiros do país e vocês dificilmente vão me ver com um cheque do adsense assinado como o cara feliz aí do lado, porque eu provavelmente nunca vou ter um saldo que valha à pena ser mostrado assim na internet. Mas eu considero o meu próprio blog um sucesso. Explico: criei-o para conhecer outras pessoas, para achar outras pessoas, para compartilhar idéias, conhecimento. E acho que consegui isso. Eu fico radiante e feliz  sempre que recebo algum comentário de alguém que curtiu o blog, de quem conseguiu fazer algo por causa de algum tutorial que eu coloquei aqui… eu quero continuar evoluindo o blog, mas eu certamente estou MUITO feliz com ele.

Logo quando eu comecei a mudar o blog eu encontrei esse post no blog do Smart Bear, cujo título é bastante sugestivo: Sua Idéia É Uma Merda, Agora Vá Fazê-la Mesmo Assim. Não importa muito qual é a sua idéia inicial: você provavelmente não tem muita idéia do que quer fazer, e provavelmente quer ter um plano muito bem projetado. As melhores empresas não costumam começar brilhantes, executando tudo de maneira excelente.

Não, nem a Apple, Mac-fanboy.

Os exemplos colocados naquele post são excelentes. Meu favorito? A descrição do início do projeto de uma dupla que queria uma alternativa para pagamentos para pessoas com Palmtops. Consistia no seguinte: Você conectava dois Palmtops e o pagador registrava a conta e, assim que o Palmtop se conectasse à internet, ele mandaria um registro do débito na conta do pagador. em um servidor Algo assim. É o tipo de coisa que você pensa "que idéia de jerico!". A empresa dos dois hoje é conhecida como PayPal. Se eles estivessem esperando ter a idéia perfeita, ela nunca chegaria. Mas como eles se puseram a fazer alguma coisa, eventualmente ação e teoria se encontraram e o conceito do Paypal amadureceu.

E isso não é exceção: quantas vezes vocês não começaram algo com uma idéia e terminaram com algo BEM diferente? (o que nem sempre é algo bom, claro. A maioria dos meus desenhos é um exemplo disso – são lindos na minha mente, mas há um problema na conexão mente~papel… deve ser culpa do lápis!)

 

Resoluções de Ano Novo

Playing with blue fire É o último dia do ano – é hora de ver como foi o ano e o que você espera para o ano que vem, ver quais são suas resoluções para o ano novo. Como eu não ando com muita vontade de fazer retrospectivas, vamos pular direto para a parte de resoluções: vou começar – e continuar – mais projetos! Eu tenho algumas idéias para o blog, e espero colocá-las em prática, uma por uma. A primeira é fazer uma parte no rodapé para linkar meu Twitter, meu LinkedIn, meu Orkut enfim, deixar vocês fuçarem minha vida e verem como eu sou moderninha e descolada por fazer parte de tantas redes sociais inúteis atuais e relevantes. (Maldade: O LinkedIn é útil de verdade. Já o twitter e o orkut… 8D)(já adianto: nem tentem me adicionar no LinkedIn e no Orkut se eu não conheço vocês. Seriously).

As outras idéias são mais relevantes, mas eu ainda não quero falar sobre elas. Quando eu fizer algo, vocês vão ficar sabendo. :-)

Mas eu pretendo ser cada vez ativa, e não me deixar levar por milhares de planejamentos. Fazer mais, me preocupar menos.

Eu não sou uma pessoa muito experiente, mas eu observo muito, leio muito – e tenho observado algumas constantes. Que grandes empreedimentos não são feitos de super idéias que surgem em relampejos de inspiração, mas de muito suor, do melhoramento contínuo. Que os "grande?" não são grandes porque sempre tiveram excelentes idéias, mas porque sabiam que deveriam continuar – quando caiam no chão, se levantavam e diziam "oras, se isso não dá certo, vamos ver o que dá…" e iam tentar de novo. Muitos caem, pensam "eu sabia que ia dar errado mesmo…" e anos depois ficam se perguntando qual o segredo do sucesso dos grandes.

E se aquela dupla lá em cima tivesse parado ao perceber que o programa de PalmTop era uma idéia de jerico? Certamente não teriam aproveitado a boa idéia de criar um servidor para transações monetárias de alta confiabilidade e não seria a empresa grandiosa e que movimenta quantidades assombrosas de dinheiro a todo instante que é agora.

Querer ter o plano perfeito é mais uma maneira de sempre deixar aquele plano "para depois". Aquela firma que você vai abrir quando você tiver oportunidade, aquele livro que você vai escrever quando tiver tempo… tempo e oportunidade são criados, não encontrados por aí.

Eu não estou dizendo que você deveria agir como um "porraloca" e sair fazendo todos os planos mirabolantes que você tem. Não é abandonar seume & my camera, mirror self-portrait emprego seguro (e isso ainda existe?) para ter tempo de viajar o mundo e bater fotos para o seu livro revolucionário sobre o crescimento de mato ao redor do mundo. Você não vai fazer seu super plano mirabolante em um dia, ou em uma noite. Mas se o seu grande plano envolve criar um livro de fotografia, que tal começar comprando uma máquina fotográfica? Comece com uma amadora. Tire muitas fotos nas hortas vagas. Leia – seja na internet, livros, revistas – e pratique mais. De repente você tira as fotos do churrasco do aniversário de um amigo e alguém diz "cara, que fotos legais!" e de repente você consegue um bico para tirar umas fotos em uma festa de fim de ano da empresa, levanta uns trocados, compra uma máquina melhor…

Um passo de cada vez. Um tombo de cada vez. Uma lição de cada vez. Do alto dos meus 21 anos, eu tenho lido a respeito, convivido com profissionais das mais diversas áreas, e acho que aprendi algumas coisas. Não há "segredo" para o sucesso – o que as pessoas provavelmente não querem saber é que isso envolve muito esforço, dedicação. Envolve se levantar depois de um tombo. Envolve fazer um pouquinho a cada dia. Exige uma inconformação, um desatino, uma eterna não-satisfação: não importa onde você já chegou, sempre é possível ir além. Mas ir além é sempre perigoso.

Estou sempre inquieta, com mil coisas na cabeça. Isso me perturba, sempre me deixa um pouco incomodada. Mas eu sei que isso é necessário se eu quiser realizar meus planos, meus projetos – até mesmo meus sonhos. Se você também se sente inquieto, um consolo: isso é necessário para realizar grandes coisas. Fazer, levantar e levar adiante um projeto é algo estafante, cansativo, estressante, e só é possível fazer isso se você tiver a íntrinseca certeza de que precisa melhorar algo, se realmente estiver apaixonado pelo que faz.

Mas, um passo de cada vez.

Se o seu projeto envolve sites, registre um domínio, coloque uma mensagem de "soon". Essa mensagem ficará lá, lhe observando, inspirando-o a continuar e colocar algo depois daquela mensagem.

Se ele envolve fotografia, aprenda sobre fotografia. Importune aquele seu amigo que entende do assunto, tire fotos, faça bicos.

Se você quer ser webdesigner, registre seu domínio, comece um portfolio. Faça alguns para aprender, faça um para alguém da família. Fale com quem você conhece, fale que está começando, que gostaria de pegar algum projeto… numa dessa você descobre o vizinho do cunhado da sua prima que está precisando de um site

Você quer ser um gamedesigner, um desenvolvedor de jogos? Leia. Estude. Escreva o que você sabe. O Rodrigo Flausino é um exemplo de alguém que hoje sabe muito sobre o assunto e provavelmente não começou sendo tão "pop".

E você? Qual sua resolução de ano novo? Qual o projeto que você está sempre adiando? Que tal levá-lo adiante em 2009?