Escrevi uma crônica, e quis compartilhá-la… para ver a opinião de vocês
Ela é dark/fantasia, e possui algumas passagens um pouco fortes, mas não tem nenhuma criança aqui, então nós não devemos ter problemas, não é mesmo?
Apenas duas observações:
- Comentem. Sério, escrever é o meu xodó e faz tanto tempo que não escrevo histórias que estou super carente de feedback, so, yeah… please? :~
- Não copiem, não plagiem, não coloquem em outro lugar dizendo que é seu, ou eu vou atrás de você com uma arma. E, de preferência, não poste o texto inteiro em outro site sem falar comigo antes, ok?
Contos do Predador, I
A caverna estava escura, um mero fio de luar entrando e refletindo sobre algumas pedras semi-preciosas que apareciam aqui e ali. Estava úmida, abafada e terrivelmente silenciosa.
E então, gritos. Indistinguiveis, grunhidos, sussurros femininos.
- Por favor…
Entra em cena o casal, em seu sentido mais perverso. Ela, empurrada e chorando e caindo sobre os próprios pés descalços. Tornozelos sangrando, o vestido branco sujo de barro, sangue e suor. Sentiria nojo de si mesma, se pudesse sentir qualquer outra coisa que não medo e terror naquela situação. Sua visão borrada pelas lágrimas e a escuridão a impediram de ver uma pedra maior e ela caiu de vez, joelhos ralados e engatinhando para tentar fugir.
Ele segurou suas pernas com força. Não ria ou sorria largamente ao ver sua pequena presa, o que de certa maneira o diferenciava da maioria dos estupradores da região. Porque, claro, ele não era apenas mais um dos estupradores da região. A sua própria maneira, ele era um tipo especial de filho da puta.
Os longos cabelos da garota cobriam seu rosto, seus braços, espalhados e grudados ao seu suor. Com uma mão, ele afastou uma mecha que estava sobre o olho da garota. E quando ela tentou se virar, ele apenas a segurou contra o chão, colocando a outra mão sobre seu peito e apertando com força.
- Onde você acha que vai?
Nenhum lugar. Ela não iria a lugar algum, e sabia disso. E a pesada mão de seu algoz deslizou sobre seu rosto, seu pescoço, seus seios e se alojou sobre sua barriga, formando uma concha como se a segurasse.
- Você tem algo que me pertence. Você é minha.
E, com isso, ela não aguentou mais olhar. Fechou os olhos com força, lágrimas escorrendo com força. Uma freira denegrida, violada. Um passo em falso, um passo em falso… e a bela freirinha da vila caíra. Na escuridão de suas pálpebras ela conseguia enxergar os olhares atravessados, o escárnio, o desdém.
Queria morrer, queria desesperadamente morrer. E como uma freira poderia suportar tal pensamento? Mas quando ele afastou suas pernas, empurrando seu vestido para cima, quando ela ouviu o barulho da calça sendo desabotoada, quando o cheiro de suor misturado a urina e tesão invadiu suas narinas, ela só queria morrer. Desejou que ele a matasse, desejou se transformar em martír. E seria martír do que? Da decadência, da podridão?
E toda vez doía tanto, a terrível sensação de ser rasgada de novo e de novo, de dentro para fora. Ela ouvia as palavras “vagabunda”, “puta”, “vadia”, cada vez mais distantes, cada vez mais abafadas pela respiração ofegante dele.
- Por que você não olha para mim? – grunhiu ele, e colocou uma mão sobre o pescoço dela, fechando-a ao ponto de quase começar a sufocá-la. Empurrou suas pálpebras para cima com os dedos gordos. – Você não gosta do que vê? Talvez você prefira minha outra aparência?
E sabendo o que iria acontecer, ela tentou fechar os olhos, sem sucesso. Teve de ver, com crescente horror, enquanto ele se transformava em alguém completamente diferente. Seus olhos diminuiram, ficando mais claros, seu rosto ficou mais fino, sua sobrancelha ficou menor. Parecia um anjo, trazido diretamente do inferno. Vê-lo novamente assim fiz com que ela gritasse, ou ao menos ela tentou gritar, mas seus gritos ficaram presos em sua garganta, escapando como fantasmas arranhando sua garganta.
Ele a observou, virando o rosto como se tentasse entender a extensão do horror que a pequena freira estava sentindo naquele momento. A vergonha por ter se deitado por livre e espontânea vontade com um semi-demônio, quando prometera dedicar a vida aos deveres do espírito e não aos desejos da carne. O horror ao descobrir o que fizera. A agonia ao ver seu pesadelo se repetir todas as noites. A dor física de ser rasgada como carne podre, a dor espiritual de saber que havia feito algo que jamais seria perdoado.
O peso de um erro terrível em seu ventre, grande demais para que ela pudesse carregá-lo.
E então veio o gozo misturado ao sangue, escorrendo entre suas pernas. A dor e o cheiro terrível quase a fizeram vomitar, e ela provavelmente o teria feito se tivesse conseguido comer qualquer coisa mais cedo, mas seu jejum imposto pela dor fez com que ela apenas tivesse ânsia.
Pesadamente, ele saiu de dentro dela, com preguiça. Olhou a pequena, que provavelmente não conseguiria fugir nem que ele a soltasse, tal era seu estado.
Abaixou a cabeça por alguns instantes, de joelhos ao lado da freira. Fechou os olhos e, após alguns instantes, começou a rezar. Rezou pela alma da freira, que provavelmente estava perdida para sempre. Rezou pelo filho bastardo. E, talvez, tenha rezado por si mesmo. Durante todo o tempo, a freira apenas ouviu as palavras das orações, repetindo-as baixinho, sob sua respiração, encolhendo-se e abraçando o próprio ventre.
Ao terminar, levantou-se e se virou de costas para a garota. Puxou a calça e a abotoou, e se pôs a caminhar lentamente para fora da caverna. E ela apenas ouviu os passos, tremendo com cada pedrinha chutada, cada galho quebrado, cada ruído. Qualquer coisa parecia prestes a explodi-la naquele momento… um toque, um ruído, um cheiro, e provavelmente ela não aguentaria mais. Ficou ali, tremendo. A voz que dizia para ela se levantar e sair dali antes que ele pudesse voltar foi se calando, devagarzinho.
Seu desejo de morte, por outro lado, foi crescendo e se instalando em seu interior, esquentando e se alojando em suas áreas machucadas.
Era noite de lua cheia, estava quente e úmido. Ela abriu os olhos e olhou para o lado da caverna, os olhos preguiçosos e doloridos. E, então, ela olhou para mim. Percebi o estranhamento e a surpresa em sua mente, mas não o medo. Talvez estivesse cansada demais para sentir medo, machucada demais.
Caminhei até ela, o que fez com que ela se encolhesse mais. Cada passo era um tremor, uma lágrima. Quando cheguei até ela e me agachei, ela me olhou com um misto de ansiedade e surpresa. Mesmo naquela escuridão, seus olhos eram brilhantes demais para que eu não visse que havia uma única pergunta em seu olhar. E eu respondi, colocando uma mão sobre seu pescoço e o mordendo, fincando minhas presas sobre sua carne. Houve um grito, e então silêncio. O sangue escorreu quente e lento, misturando-se ao suor e lágrimas.
Não sei ao certo quando ela morreu, se foi nos primeiros minutos ou se demorou muito. Não sei ao certo o que se passou em sua mente, eu estava ocupado demais para prestar atenção naquela pequena mente. Eu não sei, porque não me importei.
Poderiam dizer que fui piedoso.
Estariam errados.
Poderiam dizer que fui cruel.
E estariam, também, errados.
Eu estava apenas faminto.
