Por que eu não consigo fazer jogos?

4 mar

Esse é um post que surgiu de uma crise existencial bastante séria pela qual eu estou passando, e que me levou a rever algumas prioridades na minha vida.

Mas antes de entrar no mérito de jogos, eu preciso contar um pouco sobre mim – sobre sonhos que eu tenho desde criança.

Eu sempre gostei de histórias. Eu sempre gostei de CONTAR histórias.

Certa vez, estava com alguns primos em um aniversário de família, quando alguém propôs uma brincadeira: uma pessoa se encarregava de contar uma história, que deveria contar as palavras ditas pelo resto das pessoas na mesa. Eventualmente só eu ficava contando histórias (bizonhescas, claro) envolvendo coisas como fogões e sorvetes. Eu ADORAVA, eu me divertia com a sensação de estar criando uma história naquele exato momento, de estar contando um pedaço de alguma coisa de maneira tão impulsiva.

A maior parte de vocês mal conhece esse meu lado, claro – pode até achar que eu escrevo bem no blog, mas não faz idéia de como eu escrevo HISTÓRIAS.

Minha culpa, na realidade – desde que eu entrei para a faculdade, e isso já faz quatro anos, eu não tenho mais conseguido escrever histórias. Bom, o que eu posso dizer? A faculdade tem me consumido tanto nos últimos anos que eu simplesmente não conseguia me colocar para escrever minhas histórias. Não é apenas uma questão de TEMPO, mas de ESPÍRITO – eu chegava em casa cansada e minha cabeça simplesmente se recusava a produzir mais e mais. Minha cabeça precisa de pelo menos um pouco de ócio criativo, e eu simplesmente não tenho tido isso nos últimos anos.

E eu acabei me deixando levar… e me interessei por jogos, e entrei no mesmo ciclo vicioso…

Eu começava, me empolgava, mas antes que eu conseguisse colocar as coisas no lugar, as peças nos eixos, alguma outra coisa chamava a minha atenção, chegava a época de provas da faculdade, e lá ia mais um projeto para o fundo da gaveta…

Ah, foram anos de “Hello Worlds” que ecoaram, solitários…

Mas, sabem, eu já levei muito tapa na cara por conta disso. Já perdi um ano da faculdade por conta de escolhas das quais hoje me arrependo. Ou melhor, hoje me arrependo da própria escolha de faculdade: veja bem, o que diabos eu estou fazendo numa faculdade de engenharia se o que eu gosto de fazer é contar histórias? Mas eu acho que quatro anos eu não tinha certeza disso.

Ou melhor, eu sabia disso, mas não sabia o que fazer: não existe uma faculdade para quem “gosta de contar histórias”, mesmo o curso de Cinema da UFSC não é voltado a essa parte, até onde eu sei. Então eu simplesmente fui para um curso que tinha coisas interessantes a serem aprendidos – afinal, eu também sou uma tremenda nerd, como vocês já devem ter percebido.

Mas quatro anos depois eu começo a achar que não há mais muito que eu queira aprender aqui, e ao mesmo tempo… como largar a faculdade a essa altura do campeonato? Como largar a faculdade e dizer “olha, bacana, mas agora no final do curso eu descobri que não é bem isso que eu quero”? Mais do que desapontar os outros, eu estaria me desapontando. Porque eu tenho a impressão de que sou aquela que nunca termina as coisas?

Por que aquela pilha de projetos nas gavetas se acumulam? Por que as idéias na minha mente se aglomeram?

Veja bem, eu sou inteligente o suficiente para fazer um jogo. Sou aplicada, detalhista, persistente. Sei contar histórias, criar personagens.

Mas na hora de começar a colocar isso para funcionar… eu simplesmente acho outra coisa para fazer, algo mais interessante, um jogo novo.

Porque, claro, sempre tem um jogo novo. Uma prova na faculdade. E novas idéias. E de repente… eu não consigo levar meus projetos adiante. E não há GTD que ajude quando eu não sei quanto eu posso exigir de mim mesma.

Se exijo demais, fico estressada – e eu já sou suficientemente estressada por conta da faculdade, mind you.

Se não exijo o suficiente, o projeto não anda e… vai para a gaveta.

Eu até já pensei em tentar criar um grupo de estudos para tentar ter um grupo que me mantivesse motivada, mas… será que dá certo? Eu não sei. Sem alguém para guiar… fica realmente difícil, ainda mais em uma área tão complexa quanto a de criar jogos.

E até conseguir resolver isso, fico aqui… falando sobre jogos e apreciando histórias, quando o que eu realmente quero é criar, histórias e jogos.

Mas, quem sabe um dia eu consiga, quando eu conseguir lidar com a minha mente, quando eu conseguir lidar com o turbillhão que se encontra em minha mente…

Até lá, fico com minhas crises existenciais que se abatem sobre mim a cada quinze dias…


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