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Super Mario Galaxy [Wii] ~ not another review

10 jan

resenha - mario galaxy

Mostrando como eu sou uma pessoa super antenada e por dentro do que há de mais atual em termos de jogos, eu estou aqui para fazer uma resenha de um jogo que vem sendo aclamado pela crítica como um dos melhores jogos dessa geração, mostrando como uma franquia pode continuar fiel às suas origens e ainda assim se atualizar, agrandando os antigos fãs e conquistando novos.

O fato de que esse jogo foi lançado há três anos é irrelevante, assim como o fato de que eu só o zerei pela primeira vez durante essa tarde.

E, sim, digo zerar no sentido de que só derrotei o Bowser com o Mario hoje. Como eu posso ter coragem de dizer que Mario Galaxy é um dos melhores jogos dessa geração se eu demorei mais de dois anos para zerar seu modo principal? Bom, a questão é que pouco depois de comprar esse jogo eu comecei a perder a empolgação com o Wii e com jogos em geral, e quando voltei a jogar estava mais interessada nos portáteis do que em consoles… ou seja, o jogo ficou lá me esperando pacientemente, até eu fazer as pazes com meu Wii.

Essa reconciliação veio às vésperas de eu comprar um PS3, pasmem, e de repente eu voltei a olhar para os meus jogos de Wii, atrás daqueles que eu ainda queria zerar. Não demorou muito para eu olhar o disco de Mario Galaxy e pensar “Nossa, até hoje eu ainda não zerei esse jogo”.

Após iniciar o jogo, descobri que estava com 52 estrelas. Para quem não lembra, a fase final é liberada com 60 estrelas, e conseguir 8 estrelas em jogos do Mario não costuma ser uma tarefa assim tão difícil, a menos que você já tenha muitas estrelas e só faltem aquelas mais traiçoeiras, o que me fez pensar que eu novamente fui vítima da minha síndrome de “vou largar este jogo um pouco antes de zerá-lo”.

Então, ontem eu consegui umas 6 estrelas, consegui mais duas hoje e zerei o jogo. E de repente, resolvi que tinha de escrever sobre esse jogo aqui no Disk Chocolate, muito embora esse jogo já tenha recebido reviews à exaustão e tenha sido lançado há três anos.


O que é que o Mario tem?



Mario Galaxy - bee

Em tempos de crise, Mario treina para uma ponta em Bee movie.







Algumas pessoas simplesmente não entendem como um jogo sobre um encanador que não se cansa em resgatar uma princesa pode ser tão fascinante. Em especial, muitos se lembram de jogar os antigos jogos de plataforma do Mario, afinal de contas, quem nunca jogou Super Mario World e Mario Bros 3 na infância? E se lembram disso quando falam em Mario e pensam “mas eu não sinto mais vontade de jogar esses jogos”. Pensam, “eu não gosto mais de jogos de plataforma”, e resolvem ignorar esse jogo do Mario.

Afinal, poucos chegaram a ter um Nintendo 64 para jogar Mario 64, embora muitos tenham jogado na casa de amigos, naquela boa época em que para você jogar com seus amigos você deveria estar no mesmo recinto que eles, ou mesmo em emuladores alguns anos mais tarde.

Bom, lembram-se de quando vocês jogaram Mario 64 pela primeira vez? Aquela certeza inexorável de que aquele era um jogo do Mario, com suas características, pulos, bichos coloridos e power-ups divertidos, mas ainda assim um jogo completamente diferente daqueles jogos do Mario de SNES, um passo à frente, ou melhor, um pulo à frente em termos de gameplay e gráficos?

A relação de Mario Galaxy para Mario 64 é a mesma, e é incrível que um pulo tão grande tenha sido dado sem que tenha sido adicionada uma dimensão extra ao jogo.

O fato desde jogo ter Mario no nome certamente é um dos motivos que o fez vender tanto, ao mesmo tempo em que fez com que muitas pessoas simplesmente virassem a cara para ele por ele ser “apenas mais um jogo do Mario”. Na época de seu lançamento, muitos disseram que esse jogo não teria recebido tanta atenção se não fosse um jogo com Mario no nome, o que é verdade, mas em uma geração que busca coisas novas e jogos que possam ser descritos como “hardcore”, a franquia também se tornou o grande estigma desse jogo, ao remeter a jogos de mais de vinte anos atrás.

Mario Galaxy não é um apenas um excelente jogo do Mario, mas um dos melhores jogos que eu já tive o prazer de jogar.

Se eu pudesse dizer quais foram as características do jogo que mais me marcaram, certamente seriam tanto o conceito de jogo, que permitiu juntar fases completamente diferentes entre si sem dissonância, junto de um level design absolutamente inspirador. Por vezes vemos jogos que estão a um passo da excelência pela falta de polimento, seja por falta de tempo e/ou recursos para tal, e por vezes vemos que são excelentemente bem polidos apenas para esconder um jogo de conceitos e gameplay fracos. Quando um jogo consegue unir ambas as coisas, uma base sólida de gameplay junto de tempo e valores suficientes para produzir um jogo bem acabado, temos aqueles jogos que nos marcam e se tornam “compras obrigatórias” para quem possui o console para o qual foram lançados.

Mario Galaxy é desses jogos. E arrisco-me a dizer que é meu exclusivo favorito do Wii, de longe – os meus outros jogos favoritos, Zelda: Twilight Princess, foi lançado para Gamecube também, e Resident Evil 4, bom, esse foi lançado até para o meu microondas, eu acho.



Quando Level Design e Conceitos Sólidos se Juntam



Mario passa boa parte do jogo destruindo coisas e fugindo de cena, que mal exemplo






O Mario não faz muita coisa além de pular por aí, correndo e girando. Ele não tem mil armas, nem equipamentos diferentes… o máximo que ele pode fazer é usar power-ups com seus efeitos temporários. E embora exista uma certa variedade de power-ups, o jogo também possui muitas estrelas para serem resgatadas. Nas mãos de uma equipe menos competente, isso certamente seria a receita de um jogo com tendência a se tornar repetitivo logo após as primeiras horas, mas não é o caso de Mario Galaxy.

Existem jogos que devem ser deixados na memória, que nós jogamos quando éramos mais jovens e inocentes e que, se forem jogados de novo, serão vistos como realmente são, com seus milhares de defeitos e limitações. Isso acontece muito comigo, e portanto vocês podem imaginar minha surpresa quando, dois anos depois, eu me vi jogando Mario Galaxy com a mesma empolgação de quando o joguei pela primeira vez: vendo maravilhada as viagens de Mario pelos mundos coloridos, esperando ansiosa para descobrir novas fases e ver como iria usar os power-ups para chegar ao final e conseguir aquela estrela.

Por estar jogando em uma TV de LCD, a falta de uma resolução maior nunca fez tão óbvia e, até certo ponto, dolorosa: ver os serrilhados só me fez ter tanta vontade de ver este jogo em fullHD que eu quase quis voltar para uma TV comum. Mas, francamente? Os meus problemas técnicos com o jogo pararam por aí. Os efeitos de luz estavam tão bonitos quanto eu me lembrava deles, especialmente nas fases de fogo, ou até melhores, e os mundos são tão criativos e coloridos que é difícil se cansar deles.

Jogando ao lado do meu namorado, nós começamos a rir quando Mario se transformou em uma mola, que pulava e quicava e que tinha uma certa tendência a bater com a cabeça de Mario no chão, de novo e de novo.

Em outra fase, descobrimos que era necessário se transformar em abelha e ser atirado para o alto por um monstro azul para que fosse possível alcançar uma certa plataforma.

Mario Galaxy foi projetado como um jogo para toda família, e isso não significa que ele tenha se tornado “raso” por conta disso, mas ao contrário, que foram adicionadas diversas camadas para acomodar todos os tipos de jogadores: alguns podem reclamar que o jogo se tornou “fácil”, mas eu traduziria isso como “acessibilidade”: existem muitos desafios em Mario Galaxy, e algumas estrelas não são fáceis de serem pegas, longe disso – já me frustrei algumas vezes com uma estrela que só pode ser conseguida se você derrotar um certo chefão sem ser atingido nenhuma vez.

Chegar ao Bowser não é difícil, embora apresente desafios suficientes para manter boa parte dos jogadores entretidos: normalmente existem tantas fases abertas que você pode escolher quais irá jogar, e você pode simplesmente evitar aquelas fases mais difíceis. Um primor, na realidade: não importa qual tipo de fase você prefira, provavelmente existirá uma estrela em um tipo de fase que você goste. Essa possibilidade de escolha, no entanto, é responsável pela fama de “fácil” de jogo. Como já disse, existem muitas fases fáceis no jogo, mas existem também muitas fases repletas de desafios para quem os deseja: em certa fase, eu devo ter gastado algo em torno de 20 vidas para passar por um pequeno trecho sobre uma esfera que flutuava sobre a lava, enquanto desviava dos diversos buracos.



Super Mario Galaxy - fase na água

Até as fases na água são tão bem feitas que você irá sentir vontade de jogá-las muitas vezes. Incrível, para dizer o mínimo



De todas as áreas de desenvolvimento de jogos, eu acho que é a área de level design que mais me surpreende: eu já comecei a tentar fazer fases algumas vezes, e sinceramente eu não sabia o que fazer. Eu via as ferramentas, mas por onde começar? Como colocar aqueles elementos em cena de maneira interessante? Como usar as mecânicas de jogo a meu favor, para criar um cenário que desafiasse o jogador e que o deixasse com um largo sorriso quando conseguisse passar por aquela parte? Justamente por isso eu talvez tenha tanta admiração pelo level design de Mario Galaxy: em dois dias jogando, eu passei por mais do que alguns momentos de “yeah yeah yeah, consegui passar dessa parte!”, ao ponto de quase levantar e começar a dançar na sala de TV. Sim, eu faço dancinhas da vitória quando passo por partes difíceis de jogos.

Por exemplo, em certa fase do jogo a fase vai simplesmente sumindo, então é melhor você correr rápido, porque se você errar mais do que uma vez você provavelmente vai cair em um buraco rumo à morte certa. Ou quando a fase ia surgindo a sua frente e você tinha de escolher qual caminho tomar, e vez ou outra você só percebia que escolheu o caminho errado tarde demais, ou se desesperava e pulava rumo ao nada, apenas para ver a plataforma para a qual você deveria ir surgir instantes depois.

Em resumo, eu venderia um orgão para ter aulas de level design com os caras que criaram as fases e os conceitos desse jogo.




Fluído do Início ao Fim


Mario Galaxy - race

Correndo com uma arraia: ame-a ou odei-a




Se há algo que possa resumir uma característica quase sempre “invisível” mas sempre essencial em qualquer tipo de arte, este algo é a fluidez com que os elementos se unem. Um bom livro provavelmente terá um ritmo próprio, que você irá acompanhar enquanto lê, e o mesmo vale para o cinema, para a música – e também vale para jogos.

A fluidez representa a forma como os elementos são capazes de interagir entre si de uma maneira consistente e, novamente, Mario Galaxy representa muito bem esse conceito: tudo se torna uma coisa só, como uma melodia sendo tocada por uma orquestra cujo maestro é o próprio jogador.

Por exemplo, observemos a música: quando se está sobre a bola, girando por aí, a música se tornará mais rápida quando você correr, e mais lenta quando você estiver quase parando. Além disso, as músicas, todas orquestradas, combinam com o ambiente quase surreal das fases, misturando algumas melodias já bem conhecidas dos fãs com algumas novas.

Os próprios mundos são outro exemplo de como conseguir juntar fases tão diferentes: cada fase possui sua própria estética, suas regras, e devido ao conceito do jogo, é possível juntar tudo isso sem quebras, sem perdas de ritmo.

Novamente entra em cena uma característica dos jogos da série: as fases cíclicas, com seus padrões que devem ser aprendidos pelos jogadores. Os desafios e obstáculos das fases são prevísiveis, repetindo um mesmo padrão diversas fases, mas ao invés disso se tornar um fator negativo, se torna um fator extra de diversão para o jogador, que deve aprender certos padrões se quiser prosseguir no jogo – e o grande segredo aqui é que o jogo não pune severamente enquanto o jogador ainda não aprendeu o padrão, mas o desafia o suficiente para que haja a sensação de “dever cumprido” quando se passa por aquele desafio.

Os power-ups também se fundem ao jogo para criar uma experiência fluída – aliás, tem-se a impressão de que muitas fases foram construídas tendo como base os power-ups, como a fase repleta de abelhas, incluindo uma abelha rainha, e a fase na mansão mal assombrada. Ou ainda, os power-ups se colocam em meio a fases para continuar um desafio, como se transformar em uma mola para passar por certa parte da fase que possui plataformas mais altas.

E, por que não citar a história do jogo? É claro que a história não é o maior atrativo deste jogo, tanto é que só a estou mencionando agora, mas ela certamente contribui para esse aspecto de uniformidade do jogo, com seus personagens coloridos e alegres, mas que possuem uma melancólica história sendo contada enquanto Mario tenta resgatar “sua pessoa especial”. Este, afinal, é um dos jogos de plataforma da série com a história mais profunda até então, uma decisão que não partiu de Shigeru Miyamoto, mas do diretor do jogo, Yoshiaki Koizumi, um nome não tão conhecido mas que certamente ajudou – e muito – a construir este grande jogo.

A propósito, Yoshiaki Koizumi também trabalhou em outros títulos, como Zelda: Ocarina of Time, Zelda: Majora’s Mask, Mario Sunshine  e Donkye Kong Jungle Beat e, pelo que se pode perceber em entrevistas e artigos, se tornou uma excelente dupla para Miyamoto: de um lado o perfeccionismo e a visão clara e simples de Miyamoto, do outro o lado mais realista de Koizumi, mais interessado em contar uma história e resolver problemas técnicos para mostrar o melhor jogo possível para os jogadores.

Some isso a uma das melhores direções artísticas do Wii – e talvez dessa direção – ao criar cenários incrivelmente belos em baixa resolução e com outras limitações técnicas, e você tem uma experiência única e extremamente agradável em forma de jogo.




E Este Foi o Relato de Uma Gamer

E no início deste (epicamente longo) post, no título, eu falei que essa não era só mais uma resenha. E não é mesmo. Este é um post que surgiu anos depois do lançamento do jogo, como uma homenagem a um dos melhores jogos dessa geração, e que é uma verdadeira lição em termos de desenvolvimento de jogos.

Isto é, acima de tudo, o relato de uma gamer feliz, como vocês puderam perceber.

(E, ufa, eu devo ter cansado vocês com esse texto enorme, não?)


 

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  1. carol-jp

    janeiro 11, 2010 at 1:03 am

    oww, eu sou mais atrasada que você, hahaha. Até hoje não terminei Mario Galaxy e nem Zelda TP… E creio que não conseguir tão cedo, mas nunca é tarde para esses jogos né xD

    Mesmo que seja sobre um jogo que saiu anos atrás, o que importa é que ele conseguiu te fazer escrever sobre ele depois desse tempo todo, compartilhar essas experiencias nunca é demais.

    E fica tranquila que sempre vai ter gente, como eu, lendo o que tu escreve até o final, mesmo que seja textos grandões assim^^

     
  2. lemurius

    janeiro 11, 2010 at 3:59 am

    É verdade que eu me decepcionei muito com o caminho que o Wii está tomando… mas também é verdade que me dá gosto de ver a Nintendo continuar a ser uma empresa que conhece a arte de se fazer jogos divertidos e originais como nenhuma outra.

    Vou ter que comprar o Wii pelo menos pra jogar Mario Galaxy, não posso ficar sem jogar um jogo dessa série. Ainda mais se realmente for uma evolução de Mario 64, jogo que eu joguei (na cada de um amigo meu :P ) e que marcou minha vida gamística.

    Muito legal a review do ponto de vista do game design :D

     
  3. Cobo

    janeiro 12, 2010 at 5:47 am

    é o relato da gamer mais linda e perfeita de todas
    parabeeeeeeens de novo amor
    e vc nem me fala mais quando atualiza ein, XDDDD
    saudaaaaaaaaaades

     
  4. John

    janeiro 13, 2010 at 2:24 am

    Terminei mario galaxy esses dias, ainda estou coletando as estrelas restantes. E concordo plenamente. De fato o level design dele é tão bom, que as partes em que você é obrigado a jogar de lado, como um platformer tradicional são melhores que o new super mario :P

     
  5. >PH<

    janeiro 14, 2010 at 7:51 pm

    Mario é daqueles jogos que mexe com a imaginação das pessoas, embora nao tenha um enredo a la hollywood, cheios de armas e tal, bang bang. Mas a simplicidade do jogo é o que chama a atençao. Jogos do Mário mostram que a diversão é o principal elemento de sucesso.

     
  6. Alexo Mello

    janeiro 18, 2010 at 4:41 am

    Não me importa a data dos jogos que se resenha, desde que elas sejam tão boas como esta. E se o jogo ainda é possível de ser jogado, que mal tem? Uma boa resenha nos faz correr atrás a´te de um Pacman de Atari! Senti falta de um pouco mais telas em miniatura pra termos mais ideia das situações do jogo. Fica de sugestão. Parabéns.

     
  7. gamermaster09

    janeiro 18, 2010 at 5:04 pm

    Muito boa a resenha. o/ Agora vou passar na casa de um amigo meu que tem o jogo e alucinar.
    Mudando um pouco de assunto, deixo minha dica pro povo daqui. Site da loja de video games no qual encontrei e achei muito bom por seu atendimento e os ótimos preços. Valhe a pena conferir! ^^b
    http://www.incrivelgames.com.br

     
  8. filonerd

    janeiro 21, 2010 at 12:54 am

    Algo que me decepcionou um pouco em SMG é o pessimo multiplayer, bem sem graça.
    De qualquer modo, o jogo é incrivel. Foram poucas as vezes que um gameplay me surpreendeu tanto e que se soma aos powers-ups deixando o jogo muito divertido.
    Algo que nunca falta em Mario é a dificuldade. Sim, ela pode ser evitada em SMG se você quiser apenas terminar o jogo, mas não completamente. 120 estrelas é um grande desafio