[Essa matéria já deveria ter saído há um mês, mas com um final de projeto da faculdade e as férias... bom, eu acabei tirando férias do blog para relaxar minha mente e só estou voltando agora. Prometo tentar atualizar o blog mais frequentemente agora
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Criar jogos educativos costuma ser um desafio e tanto: como exercer o equilíbrio entre ter um jogo divertido e ainda assim educativo? Como estimular as crianças a jogarem um jogo educativo? Sem falar que se trata de algo extremamente multidisciplinar mesmo dentro da área de jogos, que já é multidisciplinar por natureza: é necessário ter pessoas voltadas para a parte educativa, para a parte de interface, para a parte de jogos…
Ainda assim, existem aqueles que aceitam essa desafio, e alguns desses conseguem um bom resultado, avançando as pesquisas e os esforços na área. Um desses casos é o OjE, a Olímpiada de Jogos Digitais e Educação, que está na sua 2a edição em Pernambuco. A 1a edição foi um “piloto”, realizada com um menor número de escolas participantes, e como a idéia deu certo, essa 2a edição conta com um grande número de participantes: mais de 2.000 equipes, com mais de 18.000 alunos! Um salto e tanto da primeira edição, que contava com 135 equipes e cerca de 1.000 alunos.
Como qualquer olímpiada, a OjE busca estimular uma competição saudável para ver quem será a equipe vencedora, no qual as equipes ganham pontos através de diversos jogos educativos. Essa segunda edição já está em sua reta final, e está sendo um sucesso – mas isso só é possível devido à coodernação de todas as partes envolvidas: os professores, que receberam instruções para usar os jogos e as atividades da Olímpiada em sala de aula, os desenvolvedores, por trabalharem para proporcionar uma experiência de jogo agradável, coerente e educativa, o governo por fomentar e levar essa Olímpiada até as escolas.
Para os professores, existem documentos no site oficial com sugestões de como levar os jogos e os temas para a sala de aula, e para os alunos o site é constantemente atualizado com dicas para os jogos, informações, além de ter um ranking atualizado para as equipes, que são divididas entre ensino fundamental e médio.
Os jogos são divididos, basicamente, em dois tipos: os “mini-jogos” e um grande quiz, que envolve um passeio ao redor do mundo. Segue uma olhada rápida nos mini-jogos:
Operação Rio Limpo, como o nome pode sugerir, é um mini jogo ecológico, que busca mostrar aos alunos noções sobre reciclagem de materiais.
Esse é um jogo que eu gostaria de ter jogado quanto estava no ensino médio: você controla uma micronave que entra no organismo de uma pessoa que não leva uma vida saudável e que possui diversas doenças – com isso, o aluno aprende sobre os orgãos dos seres humanos, e sobre diversas doenças, como Meningite, problemas respiratórios, etc. Eu certamente teria aprendido mais, já que eu sempre tive uma certa dificuldade com Biologia – até hoje eu tenho problemas para lembrar o que certos orgãos fazem ou onde ficam exatamente.
Esse é para manter viva a tradição do Pernambuco, já que mostra seu folclore atrás de um “jogo de detetive”, onde você é um fantasminha que deve impedir o Comedor de Fígados de vir para o nosso mundo. Eu preciso dizer que esse é outro jogo cuja idéia eu adorei – afinal, eu praticamente não conheço o folclore pernambucano e, bom, fantasmas são uma gracinha.
(Ademais, Comedor de Fígados é um nome legal por demais para um vilão)
Um jogo de exploração espacial, onde você está atrás de um planeta para habitar, já que o seu planeta natal foi destruído. Eu chamaria o Spock para ajudar, mas acho que ele não esta disponível como membro da tripulação :p
Você é um arqueólogo, explorando atrás de artefatos e tesouros… usando uma bola arremessada, a la breakout. Explora tanto noções de física mecânica clássica quanto de história e antiguidade, através dos lugares visitados.
Sinceramente, a primeira coisa que me veio à cabeça foi “Guitar Hero educativo”. Infelizmente não deve ter Iron Maiden nem AC/DC, mas, fazer o que, a vida não é perfeita… em todo caso, nesse jogo você é um músico que deve aprender a tocar diversos instrumentos para participar de um duelo de músicos. Serve tanto para educar o aluno sobre timbres e variações quanto sobre diferentes instrumentos existentes.
O duelo possui uma mecânica ’siga o mestre’, no qual você deve imitar o líder local.
Esses são os mini-jogos. O quiz conta com um grande mapa-múndi, que os alunos vão viajando e respondendo a perguntas para obter pontos.
Porém, eu e outras pessoas que se interessam pela área de desenvolvimento de jogos não se contentam em saber apenas isso. Ao saber de uma iniciativa como essa, é difícil não se fazer perguntas como “como eles conseguiram se organizar?”, “como foram escolhidas as mecânicas de jogo”, “como os professores e alunos estão lidando com isso?”. Por sorte, um amigo meu (ou melhor, dois, mas o outro eu só descobri que trabalhava lá na semana passada :p) trabalha nesse projeto, que envolve diversas empresas, e sugeriu que eu fizesse minhas perguntas para o Marcelo Clemente, um dos coordenadores do projeto. Segue a entrevista:
- 1) A olímpiada já está acontecendo há um mês (nota: sim, eu fiz a entrevista há um bom tempo já, por isso esse “um mês” na pergunta. Na realidade, a Olímpiada já está ocorrendo há cerca de três meses). Que tipo de retorno vocês tem tido dos professores? Eles tem conseguido integrar os jogos da olímpiada à sala de aula?
Marcelo: A Olimpíada tem duração de 04 meses. Durante o primeiro mês, o foco do trabalho foi o lançamento progressivo das diversas seções e funcionalidades do portal. Acabamos de lançar a seção dicas de aula, onde especialistas sugerem como explorar o conteúdo da OJE na sala de aula. Este espaço é um canal direto de comunicação com o professor e permite intereção por meio de um fórum. A partir de agora é que começaremos a ter os primeiros retornos a respeito da aplicação em sala de aula dos conteúdos da OJE 2009.
Durante a OJE 2008, evento teste realizado ano passado em um grupo de 20 escolas, tivemos experiências interessantes como professores que organizaram eventos para discutir o conteúdo dos enigmas e diversos relatos de integração entre alunos, professores e gestores das escolas.
- 2) Essa é a segunda edição da Oje. Que lições você e sua equipe aprenderam na primeira edição e melhoraram nesta?
Marcelo: A primeira edição foi um evento controlado. Trabalhamos com 20 escolas durante um mês. Este evento serviu para validar as principair diretrizes modelo (tecnologia, formato das equipes, balanceamento dos jogos, formato dos enigmas, monitoramento, etc).
Tivemos 134 equipes inscritas num universo bem controlado. Este ano estamos rodando pela primeira vez num evento aberto para toda a rede estadual. São mais de 2000 equipe envolvidas, mais de 350 escolas e mais de 120 municípios no estado.
A validação do modelo foi essencial. Mas estamos aprendendo ainda. É um projeto inovador, há muitos caminhos possíveis e precisamos avaliar o resultado de cada nova experiência para continuar evoluindo. A OJE 2009 está sendo uma experiência muito melhor que a de 2008 e a de 2010 será com certeza muito melhor que a deste ano.
- 3) Como é escolher os temas que serão utilizados nos mini jogos? Foi muito difícil no ponto em que pudessem dizer “isso é educativo E divertido”?
Marcelo: Este é o ponto que não fica claro logo de cara. A grande novidade é que não trabalhamos com jogos educativos. Trabalhamos com mecânicas clássicas já consagradas.A quipe de produção define a mecânica que será adotada no jogo a partir de um catálogo imenso fruto de um trabalho que vem sendo realizado há algum tempo com o departamento de design e o centro de informática da UFPE.
A partir da escolha da mecânica, são definidos em conjunto com a equipe de psicologia cognitiva e de pedagogia que temas e conceitos devem ser explorados a partir daquela mecânica. Estes temas e conceitos são trabalhados de forma implícita no jogo.
Cabe ao professor utilizar o jogo como mote para explorar estes temas em sala de aula. Posso citar como exemplo, o Imuno que utiliza a mesma mecânica do velho River Raid e explora conceitos de biologia.
- 4) A Oje foi criada por diversas empresas, da área de educação e da área de jogos. Como foi integrar empresas que podem ter visões e objetivos bem diferentes, para equilibrá-las sem que uma empresa quisesse impor sua visão sobre as outras?
Marcelo: Somar diversas competências é um desafio bem interessante. Temos a nosso favor o longo relacionamento que já existia entre as empresas. Algumas delas já haviam trabalhado junto em outros projetos. O sucesso do projeto é derivado de um longo processo inicial de definição de papéis e responsabilidades e construção de um objetivo comum.
- 5) A Oje é uma iniciativa muito interessante do estado de Pernambuco. Vocês já receberam pedidos de parcerias para levar projetos como a Oje para outros estados? Vocês tem tido algum tipo de retorno interessante de outros estados?
Marcelo: Temos diversos contatos que não podem ser revelados neste momento
- 6) O Disk Chocolate é lido por muitas pessoas na área de game design e desenvolvimento de jogos no Brasil. Você gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores? Algum conselho?
Marcelo: O projeto da OJE é motivador pois permite à equipe trabalhar com o que mais gosta (desenvolver jogos) e, ao mesmo tempo, sentir que está contribuindo, mesmo que minimamente, com o esforço de recuperação da educação pública no país.

Então agora vocês conhecem um pouco mais sobre o OjE e seu processo de desenvolvimento. Um dado interessante é que não apenas “propaganda” o sucesso do OjE: foi realizada uma pesquisa ao final da primeira edição e os resultados foram bastante motivadores:
- Dos Gestores, 88% considerou a OjE uma excelente iniciativa que aumentou o interesse dos alunos nos estudos
- Dos Professores, 77% considerou que a OjE estimulou a colaboração entre os alunos e aumentou o interesse pelos estudos, 70% debateu as respostas dos enigmas com a equipe, 46% aumentou o tempo de uso dos laboratórios, e 41% utilizou os conteúdos da OjE em sala de aula
- Dos Alunos, 68% informou ter aumentado o interesse pelos estudos e 41% aumentou o tempo de uso dos laboratórios
Ou seja, uma excelente iniciativa que tem dado bons resultados. É torcer para trazerem isso para outros estados, embora eu fique um pouco triste por não ter tido uma Olímpiada dessas quando estava no ensino fundamental e médio…







Boa tarde, tudo bem?
Estou divulgando o prêmio Nave, patrocinado pelo Oi Futuro e acho que pode ser pauta para seu blog.
http://www.oifuturo.org.br/oifuturo.htm#/nave/pre...
Gostaria de saber se vocês fazem algum tipo de parceria.
Aguardo contato
Ricardo Somera
Gostei da idéia, pena que não é muito divulgado, gostaria de participar com certeza.
Realmente nessa Olimpíada os jogos criados são muito bons, e que torna o aprendizado mais fácil com matérias um pouco complexas. Bela iniciativa.
Mudando um pouco de assunto…. deixo minha dica para a galera sobre um site no qual encontrei. Loja de video games no qual achei bem interessante. Valhe a pena conferir.
http://www.incrivelgames.com.br