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Círculos Viciosos que Levam à Pirataria e ao Comodismo

05 jun

Pois é, quem aí acompanhou a E3 desse ano? Foram muitas novidades – algumas realmente inesperadas e que me fizeram bater palmas e gritar, como Golden Sun DS, Metroid: Other M, o remake de Monkey Island…

Aí eu parei e percebi que o que me deixou empolgada não foram anúncios de novas franquias, mas revitalizações ou continuações de franquias que eu já conheço. E eu com certeza não sou a única, e os produtores devem saber disso, já que eles dão bastante foco para continuações de jogos já consagrados.

É algo natural, não? Você joga um jogo e realmente adora, acha-o muito bem acabado, a história incrível, a mecânica viciante, fica triste quando ele acaba… e de repente vem uma continuação. Como não se interessar?

Repito: os produtos sabem disso melhor do que ninguém. O que os leva a explorar um jogo que deu certo até não poderem mais, tornam-se mais confiantes para fazer uma sequência (ou fazem algo meia-boca apenas para conseguir alguns trocados)…

Isso traz alguns problemas: como ousar com esse cenário? Por incrível que pareça, um jogador não vai simplesmente sair correndo comprar qualquer maluquice que coloquem nas prateleiras. A maioria dos jogadores não está disposta a gastar 50, 60 dólares para descobrir que não curtiram uma mecânica de jogo muito diferente, ou com uma história alternativa…

Por exemplo, olhe esse vídeo promocional de Golden Sun DS:

Se não fosse eu ter amado o original de GBA, eu mal teria prestado atenção. Quer dizer, parece um bom RPG para o DS, mas ele tem vários. Mas esse ser um jogo de uma série que eu adoro me fez literalmente gritar quando anunciaram isso na conferência.

Qual o problema com isso?

Bom, vejamos Mass Effect. É um RPG meio fora do padrão – ou seria um FPS meio fora do padrão? Eu não comprei quando lançou porque, apesar de adorar, amar e ter desejado ir para a estréia de Star Trek com os pijamas da confederação, eu não curto muito FPS.  Really. Eu até gosto, mas eu não tenho paciência para ser boa nisso. Em miúdos, eu gosto mesmo é de me jogar no meio da batalha e sair atirando para todos os lados. O que quer dizer que eu não duro muito nos FPS de hoje em dia.

Por isso eu fiquei muito indignada com o fato de que Mass Effect NÃO tinha um demo. Sinceramente, se eu tivesse jogado um demo desse jogo eu o teria comprado na pré-venda.

Bom, eu lembrei que ele tem um sistema de diálogos interessantes esses dias e pensei – foda-se, vou piratear essa merda para ver o sistema de diálogos.

No dia seguinte eu fiz minha encomenda no Submarino. A história é fantástica, a ambientação é maravilhosa, e eu consegui fazer uma personagem com as mesmas cicatrizes que eu tenho (sério, foi muito massa fazer minha personagem com uma cicatriz no queixo e na sobrancelha… embora as minhas seja muito mais discretas, isso me deu uma sensação agradável de que esse realmente era meu alter-ego no mundo de Mass Effect). Ah, e ele me deixa escolher o nível de dificuldade. Obviamente eu escolhi o “I’m a fucking baby, just let me finish that game please”.

É claro, eu poderia ter lido um milhão de reviews – mas, para começo de conversa, a maioria das pessoas em sites especializados gosta de jogos de tiro, então como eu iria saber se ele era realmente o que eu esperava?

É dificil inovar quando cada tentativa pode custar alguns milhares de dólares, mas certamente algumas coisas podem ajudar na hora de vender um jogo com alguma mecânica inovadora:

  1. Crie um demo. Aliás, risque isso. Crie um BOM demo. É difícil? É. Mas é um argumento a menos para quem pirateia o jogo por querer saber como ele é antes de comprá-lo.
  2. Se for algo muito diferente, tente fazer um projeto menor primeiro, para “vender” a idéia. Convencendo as pessoas de que aquela mecânica funciona será mais fácil convencê-las a gastar dinheiro para comprar um jogo mais caro.
  3. Divulgue suas inovações! Existem centenas de jogos de tiro no mercado, o que o seu tem de diferente? Divulgue aquela mecânica diferente, chame a atenção na hora de se diferenciar!
  4. Faça jogos que fará as pessoas comentarem sobre eles. Quantos não compraram Team Fortress 2 porque todos os seus amigos estavam jogando nesse multiplayer? Eu não teria comprado Mass Effect se não tivesse ouvido falar tão bem dele (ok, eu não teria baixado o jogo, mas eu não teria comprado o jogo se não o tivesse baixado :p)

… ao menos é o que eu acho.

Agora, com licença que eu vou ali continuar minhas aventuras intergaláticas como Cindy Shepard… :)

Shepard

Shepard

(não, essa não é a minha personagem, mas o cabelo é igual xD E eu estava com preguiça de ir abrir o jogo para tirar um screenshot. :p )

 

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  1. Leonardo

    junho 5, 2009 at 2:01 am

    É engraçado isso, as pessoas podem reclamar de que só saem sequências, mas é exatamente isso que elas correm atrás quando sai uma feira como a E3 ou a TGS. Qual o jogo que mais me chamou a atenção nessa E3? The Last Guardian (Trico), que é uma (pseudo)sequência.

    Mesmo assim, se você parar pra pensar, não existem muitos jogos realmente novos. Por exemplo, Bayonetta da Sega, é uma evolução de Devil May Cry (dou um desconto já que o criador é o mesmo) ou Nier da Square Enix, que parece um beat'em up genérico (to com branco na cabeça, então não me lembro de mais exemplos).

    Talvez a fórmula a se fazer pra uma empresa nova é começar nos moldes das grandes empresas e caso ela comece a fazer sucesso, tentar inovar aos poucos, fazendo cada projeto de forma diferente mas mantendo um estilo que serve como marca pra eles.

    O Team ICO, por exemplo, embora conecte todos os trabalhos deles, fizeram jogos com conceitos variados dentro de um mesmo tema. Isso é inovar sem perder o campo que já conquistou.

     
  2. Rodrigo Monteiro

    junho 5, 2009 at 3:43 am

    @Leonardo
    Não tenho certeza se o melhor caminho para uma empresa nova é tentar ser mainstream… Olhe a lista dos jogos “Top Rated” na categoria “Indie” no Steam:

    World of Goo, Braid, AudioSurf, DEFCON, Darwinia, Mr. Robot, Trials 2, Aquaria, Defense Grid, Eets.

    Todos eles (exceto talvez Trials 2, que é igual ao X-moto, não sei qual é mais antigo, e Defense Grid, que é só Tower Defense) são bastante inovadores – alguns eu chamaria de revolucionários. Para a maioria deles, você não pode simplesmente etiquetar com algum outro jogo de referência. Você poderia dizer que Braid é “Mario com manipulação temporal”, mas isso seria como dizer que Portal é “Doom com manipulação espacial” – uma espécie de inversão de prioridades, onde toda a alma única do jogo é demovida a algo como um “gimmick”.

    Infelizmente, jogos inovadores parecem ser de recepção difícil. Acho que se Portal não tivesse sido empurrado guela abaixo dos fans de FPS pelo Orange Box, muita gente não teria jogado, e talvez tivesse tido o mesmo fim de outros jogos geniais, como Psychonauts.

    No fim, é como filmes. Por mais que saiam filmes geniais (os do Stanley Kubrick, Amélie Poulain, etc), o mais lucrativo sempre vai ser o mainstream. Ação. Comédias românticas. Drama. Será que gostar de coisas inovadoras é coisa de nerd? Um dos motivos pelo qual eu assisto anime é a criatividade de idéias, mais incomum nas produções do ocidente.

    Back to the main topic. Demos… Jogos sem demo me irritam muito. Estou semi-disposto a comprar Killing Floor no Steam, mas não tem demo. Como vou saber se vou gostar? E ainda por cima é multiplayer, não posso nem pegar “demo torrent”… As vezes acho que algumas empresas não lançam demos porque sabem que os jogos não são bons, e que demos fariam as pessoas não comprá-los. Se não fossem as demos, eu provavelmente nunca teria comprado World of Goo e Trackmania.

     
  3. Jônatas Kerr de Oliveira

    junho 5, 2009 at 8:51 am

    Descobri agora o blog e achei muito legal… muito interessante o assunto!
    Os games são uma mídia muito específica… o prazer proporcionado pela jogabilidade e pela interação são únicos e não existe como um jogador saber se a experiência é prazerosa se não jogar…
    Se o jogador não jogar um jogo, o máximo que ele pode fazer é tentar fazer uma aproximação do que ele viu ou ouviu falar sobre o novo jogo com alguma experiência anterior… em outras palavras, se o cara não jogar, o máximo que dá pra fazer é tentar ver com o que aquele novo jogo se parece e torcer pra ser parecido…
    Um exemplo é o projeto Natal da microsoft que foi mostrado agora na E3… quando vi a demonstração, achei a tecnologia fantástica, mas achei o jogo das bolinhas meio bobo… sem graça… e pensei: espero que eles façam jogos mais interessantes que isso para aproveitar toda essa tecnologia…. só que se vc ler os reviews de quem jogou aquela coisa, é algo totalmente diferente: as pessoas falam que só de ver o personagem na tela repetindo seus movimentos já é algo fantástico… e que o jogo é sensacional… ou seja: não dá pra falar se não jogar.
    Acho que entendendo isso, não existe como falar sobre um jogo se não experimentar… a experiência de um observador é diferente da experiência de um jogador… trailer de jogo não funciona (a menos que seja um remake de algo que vc já tenha jogado)… todo jogo tem que ter um demo para o jogador experimentar….
    Quanto à questão do “demo-torrent-pirata”, é algo muito interessante, pois temos uma cultura muito desrespeitosa com os autores aqui no Brasil… para ser sincero, muito dificilmente eu compraria um jogo que eu já estivesse com a versão completa e funcional na mão, mesmo que fosse pirata… eu só compraria se fosse algo que realmente significasse algo pra mim… algo que tivesse alguma ligação emocional além do jogo em si… e isso pode ser inclusive algo do tipo: gostei muito do jogo e gostaria que tivesse um próximo… vou comprar pra ajudar o desenvolvedor para ele ter dinheiro para financiar seu trabalho…
    Acho que esse assunto da cópia pirata é bastante complexo… mas isso já é assunto pra outro post, né?
    Parabéns pelo blog!

     
  4. André G

    junho 5, 2009 at 10:41 am

    Pois é, a E3 até que foi bem legal, fiquei boqueaberdo (essa palavra existe? O.o) com muita coisa que apareceu, e ri muito tambem…hehe

    Mas é verdade tudo isso, ja baixei muitos jogos piratas pra ver se eu queria comprar ou não por falta de demos :…

     
  5. smackpot

    junho 5, 2009 at 11:20 am

    Deve ser o esquema de “em time que se está ganhando não se mexe”. Utilizam a mesma fórmula pra chupinhar dinheiro. Existem excessões, GoW por exemplo segue a história. Mario Galaxy aposta na “novidade” e nos fãs que adoram o bigodudo, casual e jogadores antigos.

     
  6. André Monsev

    junho 5, 2009 at 12:54 pm

    Um dos produtores do Zeno Clash postou no pirate bay para os que estavam baixando, dizendo que entendia e que eles não iríam fazer nada contra aquela distribuição “pirata”, e que ele até entendia, mas só pedia que, caso gostassem do jogo, comprassem para incentivar a empresa – que é indie. Achei muito legal a atitude deles…ao invés de reclamar, se aproximaram dos consumidores (na verdade, ainda não eram bem consumidores hehe). Isso pq não havia um demo do jogo, ainda. Depois, eles lançaram um demo.

    Quanto à sequências, eu acho que isso aumenta ainda mais quando há uma certa insegurança de algumas empresas, não sempre, é claro, mas por exemplo…crise mundial? É muito arriscado criar algo novo e ainda anônimo, do que pegar e lançar a sequência de alguma série já famosa. Tá acontecendo com o cinema nos últimos tempos…dá pra notar, vários lançamentos que são continuações que, certamente, renderão uma grana. Com jogos, não fica sendo muito diferente. Não que seja certo ou errado…só não dá pra esquecer de lançar coisas novas pq elas, dependendo da qualidade, também podem se tornar sucesso de vendas :)

     
  7. Fabricio

    agosto 23, 2009 at 10:30 pm

    É uma grande verdade que jogos sem Demo não vendem muito..
    vocÊ tem que acreditar na bocade quem diz que ele eh bom..acreditar em reviews de revistas ou sites na internet puxando saco das empresas..
    a tempos atrás.. o unico modo de fazer uma empresa crescer..talvez fosse criar um jogo baseando se num jogo existem..ou ateh memso copiando o descaradamente ..
    a exemplo de jogos que se fizeram pelo nome temos um jogo * o qual não elmbro o subtitulo.* da série de LEgend of Zelda..que na verdade.. não pertentcia a nintendo " ao que parece.. com a quebra de contrato entre a Big N e uma empresa que acho que era a sony..outra empresa melhor se deu mal..e como rembolso ganhou direito sobre titulos famosos da Big N e da outra empresa..um desses foi Legend of Zelda..em que..ela criar um jogo com Link a Zelda e outros personagens.. em que tinha que juntar chaves..algo assim..só me lembro que o jogo era em plataforma *muito ruim por sinal* e que aviam muitas animações..mini filmes de dialogos dos personagens..foi intereçante pra época..mais..em plataforma..não pegou =/..
    Realmente..talvez por culpa dessa geração.que clonava jogos..ficamos nos acostumando a receber jogos que ja conheçemos..e ignorar um pouco os novos..com medo de se arpender depois..
    legend of zelda possui mais de 12 jogos na série..
    eu gosto muito da série..mais confesso que os ultimos jogos estão se perdendo do original..barcos..trêns.. =/..ainda não joguei.mais não vai ser a mesma coisa..
    sinceramente..estão levando a série só no nome..a questão de movimento do wii..e de touchscreen do DS…poderiam ser usadas muito bem no estilo antigo da série.
    em resumo..na minha singela opinião..nosso conformismo ta meio que acabando com a vontade de inovar dos Game designers de hoje..