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Todo Software Tem Seu Preço

18 mar

Não existe algo como um software completamente "gratuito". Chama-se de gratuito aquele programa que não cobra de seu usuário final nenhum tipo de taxa, mas é óbvio que ele possui custos – para seus desenvolvedores, que gastaram tempo nele e, em alguns casos, para a empresa que financia o projeto. Algumas vezes temos – e mais comumente em projetos web – projetos "freemium", que não cobram nada por funcionalidades básicas e se sustentam pelos "add-ons", suporte especial, etc.

Até aqui, digo apenas o óbvio – mas o óbvio que é muitas vezes esquecido e distorcido nas mais diversas matérias sobre "software livre". Digo isso apenas para levá-los ao próximo passo: software livre não é o comunismo do mundo dos computadores. Não é o nivelamento através do "todos devem ter o que todos podem ter". HÁ uma ideologia, uma filosofia, muito forte na comunidade do software livre, e que é interpretada das mais diversas maneiras por diferentes grupos. Assim como existe uma ideologia muito forte no mundo do software fechado, mas que não chama tanto a atenção por não ser tão utópica.

Não é apenas o "software livre", mas todo o movimento que vem ganhando força no campo do software: é a democracia do software. Software livre implica em liberdade de escolha, de modificações. Os adeptos do software livre adoram falar em liberdade, mas muitas vezes se esquecem que essa liberdade pode implicar em uma escolha diferente da sua – uma pessoa que escolhe Windows pode ser tão livre quanto uma que escolhe Linux. A diferença está na consciência da escolha: enquanto as pessoas usarem Windows simplesmente porque é o que veio na máquina, a única liberdade que elas estarão usando é a de se acomodarem no mais simples.

O que as pessoas ignoram – ou escolhem ignorar – quando travam infindáveis argumentos de "software de código fechado é ruim!", "windows é melhor que linux!" e etc, é que nenhuma dessas questões é tão relevante quanto a democracia propiciada pelo software livre. E nem só pelo software livre, mas por softwares gratuitos, de baixo custo, pelo software "on the cloud".

Há cerca de 20 anos, software era algo caro, e com pouquissimas opções de escolha. Muitos necessidades não eram atendidas por mais do que meia dúzia – ou nem isso – de programas. Nenhum deles se adapta? São muito caros para o seu orçamento? Azar o seu, porque você simplesmente não tinha opções.

Baby Tux

Por que eu uso Linux? Ah, é que o Tux é tão fofinho, poxa…

Recentemente o Meiobit postou sobre uma comparação de perfomance entre o Photoshop e o Gimp – na realidade, era mais uma comparação do Photoshop em diversas super-máquinas, e eles aproveitaram para testar o Gimp também – e na qual o Gimp perdeu. E digo não apenas perdeu no sentido de "nesse mês o Nintendo DS vendeu menos do que o PSP", mas no sentido de que "o WonderSwam vendeu menos em toda a sua vida do que o Game Boy Advance vendeu em um mês". E, sinceramente, alguém se surpreendeu com isso? Sim, o software livre vem avançando bastante, e em algumas áreas já possui competidores que estão no topo do podium, como no caso clássico do Firefox. Mas nós estamos falando do Adobe Photoshop, que custa cerca de 700 dólares sozinho ou 1700 dólares em um pacote com outros softwares da Adobe. Eles não cobram tudo isso apenas pelo nome bacana, mas por conta de toda uma equipe muito bem paga que trabalha para melhorar continuamente seus programas – e eles não podem parar, porque se eles não lançarem mais atualizações, bom, como eles irão arrecadar fundos, não é mesmo?

O que eu não entendo é que a partir disso se estenda uma guerra sagrada – de um lado, os defensores do Gimp, que se recusam a aceitar que o Gimp não, não está no mesmo nível do Photoshop, e do outro lado, os anti-software-livre, "meu deus, é grátis, deve ser ruim…".

Softwares livres como o Gimp, ou mesmo alternativas web de editores de imagens não tem a pretensão de desbancar o Photoshop. A questão é… não faz muitos anos que a ÚNICA opção existente era o Photoshop. Que outro programa de edição de imagens você conhecia? O Paint? E então existiam os profissionais da área, que possuem máquinas super-poderoas e múltiplos monitores de muitas polegadas e que pagavam os 700 dólares de um Photoshop… e existiam os seus priminhos, aquela tia que trabalha com imagens, aquele seu amigo que queria editar uma foto da formatura… que usavam cópias pirateadas do Photoshop. Ou que pagavam os olhos do cara para alguém abrir um arquivo no Photoshop e fazer meia dúzia de modificações simples.

Agora essas pessoas tem a opção de um programa leve, gratuito, e que pode fazer muitas das coisas que antes eram feitas apenas no Photoshop. Eu já usei Photoshop pirata e atualmente uso o Gimp. Não sinto falta de nada do Photoshop no Gimp – claro, sou uma usuária "banana" nessa área, sou completamente incapaz de entender metade das opções disponíveis nesses programas. Mas eu consigo redimensionar, balancear cores e contraste, e fazer algumas montagens simples usando camadas e efeitos de camadas. Para mim, e muitos dos usuários comuns, o Gimp é plenamente suficiente.

Outro exemplo? O BrOffice em relação ao Microsoft Office. Sempre tiveram muito mais opções do que eu jamais irei usar, ambos os programas. Uso o BrOffice e nunca, nunca pensei "ah, isso tem no MS Office e não tem aqui", mesmo tendo usado o MS Office por mais de 10 anos. A mesma comparação vale para o Inkscape x Illustrator, Thunderbird x Outlook.

É claro que você pode decidir pagar 700 dólares no Photoshop se irá usá-lo profissionalmente, ou comprar o pacote Office da Microsoft se ele tiver algo que os outros não possuam, ou pagar a licença do Windows se os programas da sua empresa rodarem apenas em Windows, por exemplo (se bem que, nesse caso, dava para tentar testar com o Wine, não é mesmo?), assim como pode escolher comprar o Maya ao invés de baixar o Blender, e comprar o Adobe Premire Pro ao invés de… ao invés de tentar descobrir alguma alternativa gratuita viável para edição de vídeo (ainda não conheço nenhuma, adoraria que o cinelerra fosse menos zoado, poderia ser uma opção interessante). Mas, aí está a diferença: é uma opção, e não uma imposição feita pela pura falta de escolha.

Você quer um sistema operacional? Você pode pagar pelo Windows, pode pagar por um servidor Red Hat ou Solaris, ou pode usar uma distribuição gratuita, como o Ubuntu, OpenSUSE, Slackware e OpenSolaris.

Você tem uma necessidade especifica X? Você pode procurar em sites como o Freshmeat e ver se existe algum que se adapte ao que você precise.

Freshmeat Logo

A democracia vem não apenas pelo código aberto, mas também pela gratuidade de muitos programas, que possibilitam o acesso a certas funções para pessoas que não teriam como pagar uma licença na casa das centenas de dólares, e também pelos programas que hoje em dia são encontrados nas "nuvens": você pode editar documentos com o Google, pode editar algumas imagens, pode até mesmo programar uma aplicação deixando toda a preocupação com processamento para o servidor. Isso possibilita que pessoas que não podem baixar arquivos ou que não possuem boas máquinas em termos de RAM, processamento ou HD, que usufruam de certas coisas.

Internet e democracia devem andar juntas: ontem a divulgação de informações era quase que totalmente restrita aos grandes meios, hoje muitas informações "quentes" podem ser encontradas nos mais diversos blogs. Isso não quer dizer que a grande mídia vá sumir, ou que ela seja maligna – embora em certos casos ela seja -, mas que hoje em dia é possível escolher da onde você quer suas informações. Quem você quer ouvir, quando, e como. Você pode encontrar um blog que transmita notícias de um jeito mais despojado e mais alinhado com o seu jeito de pensar, o que talvez fosse inconcebível na grande mídia, onde tudo ser pensando "na maioria", porque a minoria não dá dinheiro.

Mas democracia não é sinônimo de "grátis", ou "sem esforços". Muitos pseudo-adeptos-do-software-livre o são apenas por adorarem poder baixar programas gratuitos sem sentirem qualquer peso na consciência. Algumas pessoas tratam o software livre como tratam software pirateado – como algo legal para se baixar rápido, sem esforços, e sem preocupação. Alguns chegam a chiar se algum "software livre" é pago.

Se lançassem um "Gimp Pro", com muitas melhores e com uma interface muito melhor planejada, por 100 dólares, quantos comprariam? Por melhor que esse programa estivesse? Poucos parariam para pensar que esses 100 dólares estariam sendo usados para organizar uma equipe bem coordenada e fazer um desenvolvimento de software completo, com maiores investimentos nas partes de usabilidade e perfomance. Não. A maioria pensaria "porcos malditos, ficaram gananciosos, eu não pago pelo Firefox, porque iria pagar pelo Gimp"?

Mas alguém paga pelo Firefox. Alguém paga pelo Ubuntu. E são os softwares que mais possuem investimento por trás que costumam se destacar – claro, softwares não se fazem sozinhos, e nem sempre você vai conseguir que um programador vire noites atrás de uma solução ótima para um problema de perfomance no programa… de graça. Já não são tantas pessoas dispostas a fazer trabalho voluntário, e menos pessoas ainda estão dispostas a se sacrificarem por causa desse trabalho voluntário. E sem receber nada em troca, porque muitas vezes o reconhecimento dessas pessoas é ínfimo.

Então, lembrem-se: não existe software de graça. Não se concentre nessa palavrinha maldita na próxima vez em que você pensar nas razões pelas quais software livre é legal. OK, você pode baixar de graça, mas se lembre que alguém gastou algo para fazê-lo, em termos de dinheiro e de tempo. Se você achou um projeto underground que te quebrou um tremendo galho, porque não mandar um e-mail para o desenvolvedor? Fazer um tutorial? Ajudar na documentação? Divulgar para seus conhecidos?

Pensem nisso. :-)

 

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  1. mickele

    março 18, 2009 at 12:26 am

    Nossa. Não dá para tirar nem por uma palavra, excelente texto.

     
  2. mickele

    março 18, 2009 at 4:26 am

    Nossa. Não dá para tirar nem por uma palavra, excelente texto.

     
  3. ViniGodoy

    março 18, 2009 at 5:58 am

    Acho que é bom lembrar que a venda direta é apenas um dos canais por onde se paga pelo produto. Veja o caso do Java. Gratuito, mas existem certificações e cursos que estão muito longe de serem de graça.

    Outro exemplo? Que tal o Perfect World? Você baixa e joga de graça, mas logo percebe que pode pagar por amuletos, por dinheiro do jogo, por roupas legais, etc…

    Como você falou, não existe software produzido de graça. E se alguém paga a conta, o dinheiro tem de vir de algum lugar. Seja de financiamento próprio (como os games indies) ou seja de formas indiretas de comercialização.

     
  4. Fabio

    março 18, 2009 at 6:27 am

    Ótimo texto :)

     
  5. ViniGodoy

    março 18, 2009 at 9:58 am

    Acho que é bom lembrar que a venda direta é apenas um dos canais por onde se paga pelo produto. Veja o caso do Java. Gratuito, mas existem certificações e cursos que estão muito longe de serem de graça.

    Outro exemplo? Que tal o Perfect World? Você baixa e joga de graça, mas logo percebe que pode pagar por amuletos, por dinheiro do jogo, por roupas legais, etc…

    Como você falou, não existe software produzido de graça. E se alguém paga a conta, o dinheiro tem de vir de algum lugar. Seja de financiamento próprio (como os games indies) ou seja de formas indiretas de comercialização.

     
  6. Fabio

    março 18, 2009 at 10:27 am

    Ótimo texto :)

     
  7. Rafael Venancio "Toguko"

    março 18, 2009 at 1:19 pm

    Opa meu primeiro comentário !
    Parabéns pelo post ! Muito bem escrito !

    Abraços, Rafael Venancio

     
  8. Rafael Venancio "Toguko"

    março 18, 2009 at 5:19 pm

    Opa meu primeiro comentário !
    Parabéns pelo post ! Muito bem escrito !

    Abraços, Rafael Venancio

     
  9. Drugue

    março 18, 2009 at 8:46 pm

    Parabens!
    Visito esse blog há algum tempo e acredito que essa seja a primeira(ou segunda) vez que comento, mas posso dizer sem sombra de duvidas que esse é um dos primeiros comentários de elogio que eu faço sem nenhuma pontinha de obrigação.
    O artigo realmente está muito bem escrito, e deixa muito claro que sempre existe alguem por traz do projeto que teve que dar o sangue pra fazer ele se concretizar.
    Parbens mesmo pelo artigo e vou espalhar o link por ai.

     
  10. Drugue

    março 19, 2009 at 12:46 am

    Parabens!
    Visito esse blog há algum tempo e acredito que essa seja a primeira(ou segunda) vez que comento, mas posso dizer sem sombra de duvidas que esse é um dos primeiros comentários de elogio que eu faço sem nenhuma pontinha de obrigação.
    O artigo realmente está muito bem escrito, e deixa muito claro que sempre existe alguem por traz do projeto que teve que dar o sangue pra fazer ele se concretizar.
    Parbens mesmo pelo artigo e vou espalhar o link por ai.

     
  11. Fabio Capela

    março 19, 2009 at 11:00 am

    Só um comentário sobre o custo de desenvolviento do soiftware livre, uma de suas grandes vantagens é permitir que esse custo seja dividido de forma desburocratizada entre todos os interessados, independente de serem empresas ou indivíduos.
    Tomando como exemplo o kernel do Linux, por exemplo, vemos entre os contribuidores empresariais Red Hat, Novell, IBM, Intel, SGI, Oracle, MontaVista, Google, HP, Cisco, Fujitsu, etc. Todos no final das contas dividindo os custos para viabilizar um grande produto, sem a necessidade de acordos formais de colaboração. Mesmo tomando por base a empresa que mais colabora com o desenvolvimento do Linux (a Red Hat, que de 2005 a 2008 representou 11,2% do esforço de desenvolvimento), ainda assim ela recebeu por conta do método aberto de desenvolvimento melhorias que representam um custo mais de sete vezes superior ao que ela mesmo investiu.

     
  12. Fabio Capela

    março 19, 2009 at 3:00 pm

    Só um comentário sobre o custo de desenvolviento do soiftware livre, uma de suas grandes vantagens é permitir que esse custo seja dividido de forma desburocratizada entre todos os interessados, independente de serem empresas ou indivíduos.
    Tomando como exemplo o kernel do Linux, por exemplo, vemos entre os contribuidores empresariais Red Hat, Novell, IBM, Intel, SGI, Oracle, MontaVista, Google, HP, Cisco, Fujitsu, etc. Todos no final das contas dividindo os custos para viabilizar um grande produto, sem a necessidade de acordos formais de colaboração. Mesmo tomando por base a empresa que mais colabora com o desenvolvimento do Linux (a Red Hat, que de 2005 a 2008 representou 11,2% do esforço de desenvolvimento), ainda assim ela recebeu por conta do método aberto de desenvolvimento melhorias que representam um custo mais de sete vezes superior ao que ela mesmo investiu.

     
  13. Renato

    março 19, 2009 at 7:51 pm

    Muito bom o texto, está de parabens…
    Quero ainda ressaltar que tudo tende a tomar esse caminho… A internet já revolucionou o mundo, programas open source ou livres mesmo tenderão a dominar o mercado, porque são mais baratos e tem apoio da comunidade envolvida… Diferente do Windows, em que a comunidade envolvida é a pirataria…
    Quando se tem algo em que você pode contar com o apoio da união das pessoas, esse algo dá mais certo, tem mais cabeça pensando em cima… É o que acontece com o software livre… a segurança, o retorno, a comunidade disposta a ajudar, etc. são fatores que pesam muito…

     
  14. Renato

    março 19, 2009 at 11:51 pm

    Muito bom o texto, está de parabens…
    Quero ainda ressaltar que tudo tende a tomar esse caminho… A internet já revolucionou o mundo, programas open source ou livres mesmo tenderão a dominar o mercado, porque são mais baratos e tem apoio da comunidade envolvida… Diferente do Windows, em que a comunidade envolvida é a pirataria…
    Quando se tem algo em que você pode contar com o apoio da união das pessoas, esse algo dá mais certo, tem mais cabeça pensando em cima… É o que acontece com o software livre… a segurança, o retorno, a comunidade disposta a ajudar, etc. são fatores que pesam muito…

     
  15. André Caldas

    março 20, 2009 at 8:38 am

    Só achei que uma coisinha não está boa.

    Quando você diz:
    Se lançassem um “Gimp Pro”, com muitas melhores e com uma interface muito melhor planejada, por 100 dólares

    Eu me pergunto se esse “Gimp Pro” seria ou não software livre. Se fosse, eu não reclamaria. A questão é que todos (inclusive você) parecem acreditar que a única maneira de se fazer dinheiro com software é limitando o acesso a certas funcionalidades. Isso não tem nada o que ver com software livre. Tá mais relacionado com “shareware”.

    O erro, na minha opinião, do modelo proprietário, é que para que seja viável, se faz necessário todo um esquema periférico de opressão. O autor (sabemos que não é o autor, mas deixa pra lá) vive da ilusão de que o monopólio estatal e a polícia (assim como um trabalho enorme de sair por aí tentando vender sua idéia) garantirão que o software dará lucro. O que deve dar dinheiro ao desenvolvedor é o desenvolvimento. Se o desenvolvedor conseguir viver do desenvolvimento, e não dessa ilusão de que vai dominar o mundo, então o software será desenvolvido.

    Acreditar que um “Gimp Pro” seria a solução para o Gimp é pura ingenuidade. Se o “Gimp Pro” não for software livre, isso seria andar pra trás.

    No entanto, eu concordo em outros aspectos. Por exemplo, certa vez conversando com o pessoal do DataSUS (Ministério da Saúde), me disseram que o banco de dados Postgres estava disponível, mas não tinha nenhum suporte externo, já que a idéia do software livre é economizar dinheiro… São uns idiotas! Pagam uma fortuna para ter suporte da Oracle, mas se recusam a pagar por suporte ao Postgres, simplesmente porque o software custou 0!! A única diferença é que estariam fomentando a economia local.

    A sua conclusão eu gostei bastante:
    Então, lembrem-se: não existe software de graça. Não se concentre nessa palavrinha maldita na próxima vez em que você pensar nas razões pelas quais software livre é legal. OK, você pode baixar de graça, mas se lembre que alguém gastou algo para fazê-lo, em termos de dinheiro e de tempo.

    Só acho que fica sempre a impressão de que software livre é caridade. Teve um custo pra produzir, mas o desenvolvedor (um desenvolvedor) arcou com tudo…

    André Caldas.

     
  16. miwi

    março 20, 2009 at 9:43 am

    O Gimp Pro poderia ser limitado, mas por uso. Se você tem uma empresa de design, você deveria pagar. Mais ou menos como a licença do mySql, se muito me engano.

    Eu não vejo software livre como caridade. Eu vejo, em partes, como um software como qualquer outro: que nasceu para suprir alguma necessidade. Às vezes é uma necessidade do próprio desenvolvedor… alguns projetos “de um homem só” começam assim, o cara tem que desenvolver algo, aí aproveita e deixa aberto para outras pessoas que tiverem a mesma necessidade também usarem o programa. E software livre também precisa de foco, seja esse foco em fornecer um programa livre e cobrar pelo suporte, como muitos grandes projetos livres fazem, seja em fazer algo despretencioso. O que não dá é para querer abraçar o mundo.

     
  17. André Caldas

    março 20, 2009 at 12:38 pm

    Só achei que uma coisinha não está boa.

    Quando você diz:
    Se lançassem um “Gimp Pro”, com muitas melhores e com uma interface muito melhor planejada, por 100 dólares

    Eu me pergunto se esse “Gimp Pro” seria ou não software livre. Se fosse, eu não reclamaria. A questão é que todos (inclusive você) parecem acreditar que a única maneira de se fazer dinheiro com software é limitando o acesso a certas funcionalidades. Isso não tem nada o que ver com software livre. Tá mais relacionado com “shareware”.

    O erro, na minha opinião, do modelo proprietário, é que para que seja viável, se faz necessário todo um esquema periférico de opressão. O autor (sabemos que não é o autor, mas deixa pra lá) vive da ilusão de que o monopólio estatal e a polícia (assim como um trabalho enorme de sair por aí tentando vender sua idéia) garantirão que o software dará lucro. O que deve dar dinheiro ao desenvolvedor é o desenvolvimento. Se o desenvolvedor conseguir viver do desenvolvimento, e não dessa ilusão de que vai dominar o mundo, então o software será desenvolvido.

    Acreditar que um “Gimp Pro” seria a solução para o Gimp é pura ingenuidade. Se o “Gimp Pro” não for software livre, isso seria andar pra trás.

    No entanto, eu concordo em outros aspectos. Por exemplo, certa vez conversando com o pessoal do DataSUS (Ministério da Saúde), me disseram que o banco de dados Postgres estava disponível, mas não tinha nenhum suporte externo, já que a idéia do software livre é economizar dinheiro… São uns idiotas! Pagam uma fortuna para ter suporte da Oracle, mas se recusam a pagar por suporte ao Postgres, simplesmente porque o software custou 0!! A única diferença é que estariam fomentando a economia local.

    A sua conclusão eu gostei bastante:
    Então, lembrem-se: não existe software de graça. Não se concentre nessa palavrinha maldita na próxima vez em que você pensar nas razões pelas quais software livre é legal. OK, você pode baixar de graça, mas se lembre que alguém gastou algo para fazê-lo, em termos de dinheiro e de tempo.

    Só acho que fica sempre a impressão de que software livre é caridade. Teve um custo pra produzir, mas o desenvolvedor (um desenvolvedor) arcou com tudo…

    André Caldas.

     
  18. miwi

    março 20, 2009 at 1:43 pm

    O Gimp Pro poderia ser limitado, mas por uso. Se você tem uma empresa de design, você deveria pagar. Mais ou menos como a licença do mySql, se muito me engano.

    Eu não vejo software livre como caridade. Eu vejo, em partes, como um software como qualquer outro: que nasceu para suprir alguma necessidade. Às vezes é uma necessidade do próprio desenvolvedor… alguns projetos “de um homem só” começam assim, o cara tem que desenvolver algo, aí aproveita e deixa aberto para outras pessoas que tiverem a mesma necessidade também usarem o programa. E software livre também precisa de foco, seja esse foco em fornecer um programa livre e cobrar pelo suporte, como muitos grandes projetos livres fazem, seja em fazer algo despretencioso. O que não dá é para querer abraçar o mundo.

     
  19. André Caldas

    março 20, 2009 at 6:40 pm

    “O Gimp Pro poderia ser limitado, mas por uso. Se você tem uma empresa de design, você deveria pagar. Mais ou menos como a licença do mySql, se muito me engano.”

    Exatamente o que eu estava dizendo. Andar pra trás. Limitar discriminando o uso o tornaria NÃO LIVRE. Isso que você está descrevendo é “shareware”. E sim, você se engana quanto à licença do MySQL. Foi justamente quando conseguiram se libertar dessa mentalidade de “shareware”, de discriminação por uso e tal, que a coisa floresceu. Esse “Gimp Pro” não tem nada de livre.

    Por favor, não leve pro lado pessoal. Achei muito bacana você enfatizar no real custo do software. Só achei que faltou fazer a ligação com o software livre. A minha pergunta é software livre é só caridade, ou é viável economicamente? Como pode ser?

    Um abraço,
    André Caldas.

     
  20. miwi

    março 20, 2009 at 6:56 pm

    Entendo o que você quer dizer e, pensando bem, concordo.

    Viável economicamente… eu acho que sim. A fundação Mozilla e a Canonical tem lucros com o Firefox e o Ubuntu, não tem? E ambas não possuem nenhuma limitação em seu software.

    Mas agora eu fico na dúvida… pensando na Sun, por exemplo. O maior lucro deles, até onde eu sei, é na venda de servidores, não de software. Mas o Solaris 10 é pago, para ser usado em servidores de grandes empresas. Mas praticamente todas as funcionalidades dele estão no open Solaris, que possui código aberto. A maior diferença está no suporte do Solaris, e no seu foco em estabilidade, com ciclos de release maiores, enquanto que o open Solaris possui releases mais cursos, e maiores inovações no código. O que você acha desse modelo? Como ele se encaixa nessa discussão?

    Na realidade, eu acho que o software livre é viável economicamente, sim. Uma maneira que eu reconheço é, justamente, de oferecer o software de graça e cobrar pelo suporte, pela assistência, por possíveis customizações… mas acho que ainda existem outras possibilidades.

    Ah, e é claro que eu não levo para o lado pessoal. Estou gostando muito dessa discussão, na realidade. :)

     
  21. André Caldas

    março 20, 2009 at 8:49 pm

    Eu vejo um mundo mais florido. ;-)

    Não penso em grandes empresas desesperadas porque estão em uma má situação financeira. Penso em atividades menores e mais locais. Antigamente, uma pequena empresa nunca poderia fabricar um hardware que necessitasse de um sistema operacional simples. Trabalhei em uma pequena empresa uma vez que resolveu produzir hardware para participar de uma licitação. Nunca poderíamos ter feito isso sem software livre. Não devemos nos limitar ao universo do usuário. É muito mais interessante olhar pelo ponto de vista das pequenas empresas que vivem de proporcionar soluções (e não apenas suporte) a outras empresas. Com software proprietário, essas empresas são apenas revendedoras de uma multinacional. Não conheço nada do open Solaris… não simpatizo muito por puro preconceito. Soa um pouco centralizado.

    No final das contas, a maioria parece ser muito a favor do monopólio. Nosso senso de justiça parece acreditar que o grande objetivo é conquistar um monopólio. E que, portanto, inviabilizar a monopolização é injusto, visto o esforço que determinada empresa fez para conquistá-lo.

    Não sou contra que se cobre, por exemplo, por um “Gimp Pro”. Mas acho que não faria sentido ter uma versão “Pro” e uma versão “shareware” se ambas fossem software livre. Ou seja, o sucesso de um “Gimp Pro” dependeria essencialmente de se retirar a liberdade de se compartilhar e redistribuir a versão “Pro”. O exemplo nem é de fato realista, pois não é possível fazer um software derivado do Gimp mas que não seja livre. A licença do Gimp não permitiria.

    Agora seguindo sua linha de raciocínio que que o software necessariamente tem um custo… como o software livre pode ser viável? Na minha opinião, o software livre quando é produzido, já deve estar “pago”. A necessidade deve vir antes do software. Fica até parecendo que uma única empresa vai arcar com todo o custo e entregar tudo de mão beijada para um concorrente. Mas acho que não é exatamente assim que acontece.

    Eu estudo matemática. Não espero ter monopólio sobre o conhecimento que eu vier a produzir, na esperança de ficar rico. Acho que com software deveria ser parecido.

    André Caldas.

     
  22. André Caldas

    março 20, 2009 at 10:40 pm

    “O Gimp Pro poderia ser limitado, mas por uso. Se você tem uma empresa de design, você deveria pagar. Mais ou menos como a licença do mySql, se muito me engano.”

    Exatamente o que eu estava dizendo. Andar pra trás. Limitar discriminando o uso o tornaria NÃO LIVRE. Isso que você está descrevendo é “shareware”. E sim, você se engana quanto à licença do MySQL. Foi justamente quando conseguiram se libertar dessa mentalidade de “shareware”, de discriminação por uso e tal, que a coisa floresceu. Esse “Gimp Pro” não tem nada de livre.

    Por favor, não leve pro lado pessoal. Achei muito bacana você enfatizar no real custo do software. Só achei que faltou fazer a ligação com o software livre. A minha pergunta é software livre é só caridade, ou é viável economicamente? Como pode ser?

    Um abraço,
    André Caldas.

     
  23. miwi

    março 20, 2009 at 10:56 pm

    Entendo o que você quer dizer e, pensando bem, concordo.

    Viável economicamente… eu acho que sim. A fundação Mozilla e a Canonical tem lucros com o Firefox e o Ubuntu, não tem? E ambas não possuem nenhuma limitação em seu software.

    Mas agora eu fico na dúvida… pensando na Sun, por exemplo. O maior lucro deles, até onde eu sei, é na venda de servidores, não de software. Mas o Solaris 10 é pago, para ser usado em servidores de grandes empresas. Mas praticamente todas as funcionalidades dele estão no open Solaris, que possui código aberto. A maior diferença está no suporte do Solaris, e no seu foco em estabilidade, com ciclos de release maiores, enquanto que o open Solaris possui releases mais cursos, e maiores inovações no código. O que você acha desse modelo? Como ele se encaixa nessa discussão?

    Na realidade, eu acho que o software livre é viável economicamente, sim. Uma maneira que eu reconheço é, justamente, de oferecer o software de graça e cobrar pelo suporte, pela assistência, por possíveis customizações… mas acho que ainda existem outras possibilidades.

    Ah, e é claro que eu não levo para o lado pessoal. Estou gostando muito dessa discussão, na realidade. :)

     
  24. André Caldas

    março 21, 2009 at 12:49 am

    Eu vejo um mundo mais florido. ;-)

    Não penso em grandes empresas desesperadas porque estão em uma má situação financeira. Penso em atividades menores e mais locais. Antigamente, uma pequena empresa nunca poderia fabricar um hardware que necessitasse de um sistema operacional simples. Trabalhei em uma pequena empresa uma vez que resolveu produzir hardware para participar de uma licitação. Nunca poderíamos ter feito isso sem software livre. Não devemos nos limitar ao universo do usuário. É muito mais interessante olhar pelo ponto de vista das pequenas empresas que vivem de proporcionar soluções (e não apenas suporte) a outras empresas. Com software proprietário, essas empresas são apenas revendedoras de uma multinacional. Não conheço nada do open Solaris… não simpatizo muito por puro preconceito. Soa um pouco centralizado.

    No final das contas, a maioria parece ser muito a favor do monopólio. Nosso senso de justiça parece acreditar que o grande objetivo é conquistar um monopólio. E que, portanto, inviabilizar a monopolização é injusto, visto o esforço que determinada empresa fez para conquistá-lo.

    Não sou contra que se cobre, por exemplo, por um “Gimp Pro”. Mas acho que não faria sentido ter uma versão “Pro” e uma versão “shareware” se ambas fossem software livre. Ou seja, o sucesso de um “Gimp Pro” dependeria essencialmente de se retirar a liberdade de se compartilhar e redistribuir a versão “Pro”. O exemplo nem é de fato realista, pois não é possível fazer um software derivado do Gimp mas que não seja livre. A licença do Gimp não permitiria.

    Agora seguindo sua linha de raciocínio que que o software necessariamente tem um custo… como o software livre pode ser viável? Na minha opinião, o software livre quando é produzido, já deve estar “pago”. A necessidade deve vir antes do software. Fica até parecendo que uma única empresa vai arcar com todo o custo e entregar tudo de mão beijada para um concorrente. Mas acho que não é exatamente assim que acontece.

    Eu estudo matemática. Não espero ter monopólio sobre o conhecimento que eu vier a produzir, na esperança de ficar rico. Acho que com software deveria ser parecido.

    André Caldas.

     
  25. Kinn

    março 22, 2009 at 4:54 pm

    Bom, minhas justificativas estão por email.
    Você é boa com as palavras, e soube explanar muito bem oque vivemos no mundo OpenSource.

     
  26. Kinn

    março 22, 2009 at 8:54 pm

    Bom, minhas justificativas estão por email.
    Você é boa com as palavras, e soube explanar muito bem oque vivemos no mundo OpenSource.

     
  27. Fernando Augusto

    junho 4, 2009 at 8:01 am

    Primeiramente grande Post.
    Eu sinceramente acho que o foco da discussão deveria ser mais na questão do não dominar o mundo. A iniciativa do software livre é algo fantástico considerando que é um projeto a nível global de colaboração. O que incomoda no software proprietário? Bom me incomoda o que as empresas atraz dele fazem…. Ora bolas, a Microsoft já foi a queridinha que tinha programas baratinhos e brigava com os gigantes ávidos de grana. E agora? chegando ao topo ela usa do poder construído para impedir a inovação. A IBM foi assim no passado. E ainda é com muita coisa…
    A Oracle É assim, tem práticas abusivas junto aos seus clientes para que o Larry possa comprar jatos, carros e iates.
    O Software proprietário se confunde com o capitalismo em suas boas e más facetas. A boa de permitir a competição estimulando agentes que evoluem darwinianamente uma tecnologia, facilita a alocação de recursos ao redor da pesquisa etc…
    A má é que uma vez no topo, com o controle do capital, os que anteriormente eram desafiadores, democráticos, propagandistas da meritocracia e cheios de boas intenções, tornam-se príncipes que empenham seus esforços em defender seu reinado e não mais seu reino.
    No modelo fechado a idéia é que o agente evolue por medo da concorrência, na prática o que acontece é que o sujeito abate seus concorrentes utilizando de todas as armas disponíveis como FUD ou mesmo ameaça direta. Ainda temos a tendência dos governos de serem corruptos, aqui e em todo o mundo, permite que esse controle seja feito diretamente no detentor da lei.
    As patentes foram criadas para proteger a inovação, hoje protegem as ferraris de pessoas que nem sabe o que lhes dá dinheiro.
    Acredito que o modelo de software livre financeriamente permite a inovação contínua, valorizando com justiça aqueles que trabalham em torno do desenvolvimento do projeto ENQUANTO ELES ESTIVEREM NO PROJETO e não o resto da vida.
    Temos de defender a meritocracia a todo o custo, é ela que, IMHO, permite a inovação.

     
  28. gumelo

    abril 27, 2010 at 9:37 pm

    Por tudo o que você falou é que o Ubuntu é a melhor distro do Linux existente, existe uma fundação por trás do desenvolvimento do produto e custa muito dinheiro desenvolvimento, por isso não é só falar e usar mas quem pode deve contrinuir nem que seja como usuário de testes.