O Que a Microsoft deveria ter aprendido com o Ubuntu…

21 nov

Se há algo que é absolutamente necessário para a adoção de um sistema é que ele tenha uma boa usabilidade. Foi o diferencial da Microsoft durante algum tempo, e então o Windows se tornou o líder. Sim, o Mac também tem uma excelente usabilidade – superior tanto ao Linux quanto ao Windows, pelo que me dizem – mas isso não foi suficiente para que ele fosse o sistema dominante. Desconfio que isso se deva ao ego do tamanho do mundo da empresa, mas isso é assunto para outra discussão… A questão é que a usabilidade é uma condição necessária, ainda que não suficiente, para que um sistema seja adotado pelas massas. O que é usabilidade? Sem nos prendermos à semântica, um sistema é tanto mais "usável"  quanto mais ele "falar a língua do usuário". Ou, em termos práticos, quanto menos o usuário precisar o Google para descobrir como se fazem coisas simples, melhor.

Usabilidade é conectar dispositivos ao seu computador e não ter de revirar a internet atrás de maneiras de fazê-lo funcionar. É não ter de adivinhar qual dos 100 programas que você instalou e desintalou está fazendo o início do seu sistema ficar mais lento. É ter um sistema que esteja preparado para as tarefas simples que qualquer usuário comum irá usar, como acessar a internet, usar um mensageiro instantâneo, verificar e-mails e gravar um DVD. Durante muito tempo o Linux foi o sistema da liberdade – mas uma liberdade complicada. Uma liberdade que te permitia voar, se você tivesse asas. Se você não as tivesse, você estaria fadado ao subsolo. Isso vem mudando, e mudando para melhor. A passos largos. A primeira vez que eu tive contato com Linux foi com um Linux em modo texto. Preciso dizer que eu não imaginava porque diabos alguém iria querer usar aquele negócio? A segunda fez foi com o Ubuntu. Acabei desistindo porque na época eu usava muito o voip e ele simplesmente não reconhecia meu microfone. Então, veio o Vista. Bom, acho que o retrocesso do Windows XP para o Vista dispensa apresentações, certo? Por mim, eu teria continuado no XP, mas meu notebook veio com o Vista e eu simplesmente não tive saco para mudar o sistema operacional, ainda mais conhecendo o fato de que muitas vezes é difícil achar drivers para os dispositivos do notebook. Resolvi tentar o Ubuntu DE NOVO. Desisti e desinstalei depois de ficar TREMENDAMENTE irritada quando uma atualização do sistema desconfigurou minha internet. Poucas coisas me deixam tão irritada quanto ficar sem internet, juro. Fúria Aí, essa semana resolvi dar uma nova chance ao Ubuntu, que está na sua versão 8.10. Intrepid Ibex é um nome bonito, deveria me dar sorte, não é mesmo? E deu sorte. Sendo que sorte, nesse caso, consiste no resultado do esforço de diversos desenvolvedores apaixonados pela idéia de software livre e que, graças a deus, tem ido às suas aulas de Usabilidade 101. Eu comprei um teclado USB para o meu computador, para poder usar meu antigo monitor de 17" como monitor principal e o teclado do notebook como monitor secundário. Eu precisava do teclado extra porque, sinceramente, não é muito prático estar digitando e olhando para o lado para ver o resultado – isso traz torcicolo, na melhor das hipóteses. Tentei dois teclados no Vista, ele se recusou a reconhecer qualquer um dos dois. E isso depois de eu revirar o Google atrás de drivers. Com o Ubuntu, resolvi testar de novo, meio descrente e iimaginando que tipo de sandice eu teria de fazer para fazê-lo funcionar. Conectei o teclado, esperei… onde seria que eu teria de ir para instalá-lo…? Achei estranho não ver nenhuma janelinha aparecer dizendo "um novo dispositivo foi detectado! você gostaria de instalá-lo ou você simplesmente gosta de enfiar coisas no seu computador?" Você quer mesmo instalar esse dispositivo? Fiquei desconfiada. Abri uma janela qualquer com espaço para digitação e digitei. E letras começaram a aparecer na tela. Eu juro que quase não acreditei nos meus olhos. Para configurar, só precisei ir em Sistema -> preferências -> Teclado e escolher o teclado com o layout do meu – no caso, aquele de Português Brasileiro, com cedilha e tudo o mais. E funcionou. Desconfiada da minha sorte, resolvi testar alguma outra coisa… já sei. O meu microfone, que havia sido a causa da rejeição do Ubuntu na primeira vez que o testei, e que se recusava a funcionar direito no Windows Vista – eu estava usando meu headset no computador do meu namorado (que, ironicamente, também usa o Windows Vista) para conseguir falar com alguém sem chiados. Fui procurar um gravador de som, que foi encontrado em Aplicativos -> Som & Video -> Gravador de Som. Minha mãe conseguiria achar esse aplicativo, o que, novamente, é bom. E coloquei para gravar. Nada. Nenhum som. Pensei "ok, you still fail, Ubuntu". Mas como não sou de desistir fácil, resolvi mexer nas configurações de som, jogar todos os níveis do microfone para o máximo e gravar em formato de áudio sem perdas. "1,2,3,4,5,6, testando…" echo "1,2,3,4,5,6, testando…" UAU. Fui ligar para a minha mãe. Não estava em casa. Engoli em seco, resolvi gastar um pouco mais e liguei para o celular. Mamãe atende, estranha que eu não estou ligando a cobrar. "Mãe, você está me ouvindo bem?" "Alto e claro, Cindy, por quê? Você está ligando do seu computador?" (sim, eu já havia falado do problema para ela e ultimamente eu usava o Voip do computador do meu namorado para ter uma ligação decente) "Sim, mãe!" "O que você fez para funcionar?" Pensei em dizer "Ubuntu, mãe, Ubuntu!", mas achei que explicar o que é um sistema operacional e como o Ubuntu era um sistema sensacional iria destruir meus escassos créditos no Vono, resolvi dizer que depois eu explicava. "Alto e claro", não "o que? Está com chiados! Não estou te ouvindo direito!". Toma essa, Windows! Take That, Windows! Claro, eu ainda não testei tudo – será que a minha webcam funciona aqui? Faz tanta falta que eu ainda nem me dei ao trabalho de ir testar, percebam. E isso que eu só estou mencionando as coisas que mais me chamaram a atenção – nem falei na internet sem fio que funcionou de primeira (depois que eu coloquei a senha, claro), nos aplicativos essenciais que já vieram instalados, como o gravador de CD/DVD, o sensacional Amarok… programas básicos que já estavam no menu inicial ou que foram facilmente adicionados indo em Aplicativos -> Adicionar/Remover. ISSO é que é adicionar e remover programas. Eu estou preparada para ir para a linha de comando de vez em quando, especialmente quando eu estou desenvolvendo. Mas coisas como ouvir música e gravar DVDs eu espero que estejam funcionando assim que eu instalo o sistema, sem maiores configurações. E o Ubuntu realiza essas funções de maneira muito interessante. Sinceramente, acho que só vou voltar a logar no Vista quando for jogar Fallout. Isso se eu não criar vergonha na cara e instalar o Windows XP no Wine… mas é rola uma preguiça, sabem…? Aliás, o Linux é conhecido como o ambiente dos desenvolvedores, mas parece que eles não
se contentaram apenas com esse público (ou então desenvolvedores são mais frescos do que eu imaginava…), porque é muito fácil achar temas no Google. Além disso, estou com um papel de parede em XML. Isso, XML. O XML define qual o meu papel de parede, de acordo com a hora do dia. Ou seja, eu posso saber em que parte do dia estamos sem precisar olhar lá fora! (aliás, não que eu precisasse antes… viva o relógio do sistema… e o widget que informa o tempo e a temperatura lá fora…). Olha que bonito está o meu sistema: Meu atual desktop, em duas telas Sim, estou usando duas telas. Como eu queria há muito tempo e o Vista não deixava. Liberdade em software precisa de usabilidade. É uma lição que o Ubuntu aprendeu, e que o a Microsoft desaprendeu. Três vivas para o software livre!

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