Tenho um gosto musical para lá de eclético e que, infelizmente, pode ser definido como “tudo que o brasileiro comum não gosta”.
OK, voltem, leiam a frase com atenção. Perceberam o “infelizmente” perdido ali no meio?
Oras, podem começar com os usuais “mas é bom que você não curta o que o ‘povão’ curte, afinal, eles costumam gostar só de porcarias como pagodão, Kelly Key e afins”. O velho elitismo do gosto musical, “eu sou melhor do que eles porque meu gosto musical é mais ‘refinado’”, que, aliás, infecta boa parte das tribos por aí afora.
Abobrinhas, não é o meu gosto musical que define quem eu sou, nem quão inteligente, ou culta ou bem informada eu sou. Não preciso desse tipo de coisa para me auto afirmar, e olha que a minha auto estima cabe numa colher de chá.
Infelizmente, sim, por um fator muito mais relevante e real do que esses ‘elitismos musicais’: meu bolso.
CDs que eu gosto custam no mínimo 30 reais, alguns até 50, 60, já que, se eu os quisesse, teria de importá-los. Esse é um dos motivos pelos quais eu não compro CDs: pagar tanto numa mídia barata com acabamento ridículo na maior parte das vezes e, desse total, pouquissimo ir para os artistas que realmente merecem meu dinheiro? BANANA para as produtoras, porque meu dinheiro elas não vão ver! Enquanto isso, CDs do povão você encontra por 5, 10, 15 reais em promoções em qualquer lugar. Existem os CDs mais caros, mas é muito fácil você encontrar CDs do povão nas cestas de promoções que costumam existir na maioria das lojas de cds e variedades.
Sabendo disso, foi com certo ceticismo que fui dar uma olhada na seção de promoções da Livraria Curitiba anteontem, quando estava dando uma volta com a minha mãe. Procura aqui, procura ali, olha os CDs e, de repente, meu olhar capta algo…

Escandaloso, não? Não é o tipo de CD que você vê uma vez e se esquece com facilidade – é mais provável que você fique ligeiramente traumatizado com o cabelo daquela mulher e com a blusa vermelha daquele cara. E com as cores super mega vibrantes.
E também é a capa de um dos meus CDs favoritos por ter uma música que eu AMO! Adoro mesmo! Nem lembro como conheci a banda ou aquela música, só sei que ela me traz tantas lembranças, tantas idéias… consegue ressuscitar as garotinhas assustadas que costumam aparecer em minhas histórias como poucas músicas conseguem. Faz-me viajar até aquele meu mundo…
Certa vez me disseram que ir para o mundo de minhas histórias era, para mim, como ir até uma ilha distante: uma visão linda e esplêndida, mas que exauria minhas forças. Sim, escrever histórias, as histórias que eu considero minhas melhores, suga minhas energias, consome-me como um amante, leva-me para tão longe que por vezes preciso de ajuda para voltar. E como únicas companheiras nesta jornada estão as músicas – e não qualquer música. Não sei definir qual música será minha melhor companheira – depende de meu espírito, depende da onde eu estou indo.
Algumas músicas, para mim, guardam dentro de si tantas memórias e tantos sentimentos que eu poderia escrever linhas e linhas sobre o nada apenas por tê-las ouvido.
Liberty, do Olive, a dupla desse CD de capa de gosto duvidoso, é uma dessas músicas.
Ouvi-la trouxe de volta lembranças de uma garotinha assustada que há anos eu não via, nem sentia – Kilih. Mas nenhum de vocês a conhece, então acho melhor não entrar em detalhes sobre isso.
E sabem por quanto estava essa preciosidade?
TRÊS REAIS! Isso mesmo, três míseros reais!
Em termos de alguém muito viciado em internetês, “OMFG, I had an orgasm right there!”.
Moral da história?
Às vezes é bom verificar promoções, por mais improvável que seja você encontrar algo ali.
Ou, o que você quer às vezes está onde você menos espera.
Para quem ficou curioso sobre a música, clique aqui para ouvi-la.