O que é mais assustador…?
6 set
Há uma sensação que me persegue há alguns anos… aliás, ‘me’ faz parecer que o fato ocorre apenas comigo, quando eu tenho certeza de que não é esta a realidade.
Vocês já se encontraram caminhando em algum lugar, ou observando um irmão mais velho, ou lendo um livro… enfim, já se encontraram em tal situação que, diante de um conhecimento diferente vocês pensaram “Isso é assustadoramente difícil! Eu nunca vou aprender isso!/Como ele consegue entender isso?” para, algum tempo depois (horas, dias, semanas, meses, anos…), você parar e perceber que aquela equação de Bharskara que você imaginou que nunca iria decorar está na ponta da sua língua assim que você precisa dela? (Confesse: você viu a fórmula na sua mente assim que leu o nome ‘Bharskara’, não viu?) Ou que aquele estranho símbolo curvílineo faz sentido e não é tão estranho quanto quando você começou a aprender integrais?
Bom, eu sei que já passei por isso diversas vezes, geralmente com conhecimentos matemáticos (os conhecimentos de ordem mais filosófica geralmente são menos assustadores, e mais discretos quanto a sua percepção; ainda assim, quem nunca se percebeu tomando decisões muito mais maduras do que tomaria anos atrás?).
Quando voltava da aula hoje, vi pela janela de uma das salas um quadro repleto de informações, um longo diagrama de um sistema. Era estranho, completamente estranho – do tipo que faz quem não escolheu fazer uma faculdade na área exata querer sair correndo. Mas parte daquilo fez algum sentido e, ao ver no quadro a palavra “realimentados”, me dei conta que, daqui a alguns semestres, aquilo fará ainda mais sentido: terei aula sobre este assunto, e novamente acabarei o semestre analisando com naturalidade assuntos que antes eram quase “alienígenas”.
É ligeiramente assustador pensar nisso, embora eu não consiga colocar em palavras a exata razão.
Mas me faz crer que não é todo mundo que percebe isso; especialmente aqueles que saem da faculdade e, quando se deparam com um mercado de trabalho dez vezes mais grandioso e assustador do que imaginavam não hesitam em soltar “mas não se aprende nada na faculdade mesmo”. Das duas, uma: ou a pessoa efetivamente “levou nas coxas” o curso inteiro e realmente não aprendeu muita coisa, ou não parou para perceber que todo aquele assustador mercado de trabalho seria AINDA mais assustador se ela não tivesse aprendido algumas coisas na faculdade.
É asustador pensar no que me espera daqui a alguns, sério. E sei que, daqui a alguns anos, vou olhar para trás e pensar “como eu aprendi tudo isso? Como eu cheguei até aqui…?”.
Quando se trata de conhecimento, acho que a tartaruga realmente leva a melhor sobre a lebre… devagar (ou nem tanto) se vai longe. Muito mais longe do que você iria se apenas olhasse para o horizonte e pensasse “ah, mas é tão longe… vou ficar por aqui mesmo”.
No mais, permanece aquela outra sensação… de que o que eu estava me matando de estudar semestre passado era TÃO fácil diante do que o que eu estou aprendendo agora… mas, claro, as coisas não poderiam ficar mais fáceis, né? Ainda assim, nenhum desses argumentos racionais me faz evitar aqueles pensamentos de fim de tarde… por que, Deus, por que eu não escolhi um curso mais fácil?
Eu sei a resposta, mas no final de uma semana cansativa, eu prefiro fingir ignorância. Até segunda de manhã.
