Existe algo como “enxergar demais” em um jogo?
É um fenômeno interessante, que alguns dos jogos de gráficos mais memoráveis para mim sejam jogos 2D, como Braid, ou que possuem um visual mais limpo, como Okami. São esses jogos que eu me lembro melhor, e não aqueles de aparência extremamente realista.
Jogos, ao se tornarem cada vez mais produtos comerciais, tem negligenciado a peça mais importante no processamento de um jogo: a mente do jogador. Não que isso seja culpa exclusivamente dos desenvolvedores, já que jogos, sendo verdadeiras explosões multimídia, com sons, imagens e movimento, por natureza tendem a suprimir a parte mais imaginativa das nossas mentes.
Quantos não leram O Senhor dos Anéis e produziram um mundo muito maior do que qualquer filme seria capaz de recriar? E isso vale para essencialmente qualquer livro adaptado para o cinema – minha Hogwarts, aquela que eu criei quando comecei a ler Harry Potter, é muito mais profunda do que aquela mostrada nos cinemas. Os universos que eu crio quando leio são sempre mais ricos do que aqueles mostrados nos cinemas, nos jogos.
(Isso não quer dizer que filmes não possam trazer novos detalhes que nossa mente não criou por si só, como… a voz do Snape, por exemplo, e que sejam muito interessantes…)
Claro, nossa mente é com um processador infinito, capaz de gerar mundos gigantes com pequenos estímulos… uma linha em um livro é capaz de gerar uma pessoa, uma rua, uma casa… mas, se isso acontece com uma linha em um livro, porque nossa mente não trabalha tão ativamente com estímulos maiores, como os visuais do cinema ou dos jogos?
Porque nossa mente é preguiçosa.





